Nuno Gonçalo Poças na Vollüspa

Nuno Gonçalo Poças é uma das novas vozes que mostram o seu talento na antologia Vollüspa. Aqui fica o primeiro parágrafo do seu conto, só para vos deixar cheios de curiosidade:

Naquela noite matei um gato. Chamei-o e dei-lhe carícias, pendurei-o pelaspatas traseiras na porta do meu quarto e bati-lhe com um pau. Peguei numa faca e arranquei-lhe os olhos. O gato miava alto, desconcentrando-me, tentando afastar-me do meu fim. Não conseguiu: eviscerei-o e senti-lhe o sangue. Senti os meus olhos a revirar, dei duas voltas e tombei. O que vi? Um deserto, um bosque numa noite de Inverno, um túnel infinito, um céu azul, uma luz que nunca mais se apagava. Viagens, tormentas, desequilíbrios emocionais, disfunções mentais, quebra passional. Juras de amor eterno, revoltas, revoluções, corpos semi-despidos abençoados por luzes vermelhas. Ruído, muito ruído, silêncio interior, cheiro a chocolate, corações das trevas. Ruído. Mais ruído. Ritmo. Gritos, olhos cerrados, cabeças que giram, cabeças que rolam, cérebros que deliram. Berros no silêncio da noite, urros provocados por devaneios sexuais e o silêncio de quem vive. Paz, guerra, amor e ódio. Sangue e dor. Flores… Tudo. Nada.
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5 respostas a Nuno Gonçalo Poças na Vollüspa

  1. anacnunes diz:

    Conseguiu dar-me voltas ao estômago com as primeiras frases.

  2. Wendy diz:

    Visto que só hoje descobri este blog, alguém me sabe dizer se a antologia Vollüspa já está disponível para ser adquirida? como o posso fazer? porque já estive no site da HM Editora e não encontrei lá nada…..

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