200 Anos de Poe!!!

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“Celebraram-se ontem 200 anos do nascimento do escritor norte-americano Edgar Allan Poe. Morto em 1849, aos 40 anos de idade, Poe tornou-se um dos autores mais influentes e mais lidos da literatura ocidental do século XX, tendo escrito contos clássicos de mistério e terror. Foi o escritor do macabro, explorando sistematicamente os temas da morte e do horror – mas foi também um curioso de novas ideias e tecnologias, como por exemplo os balões de ar quente e a criptografia, interesses que o tornaram precursor da ficção científica. Criou a literatura de mistério, com a personagem do primeiro detective fumador de cachimbo, o parisiense Chevalier C. Auguste Dupin, a surgir em Crimes da Rua Morgue e em duas outras histórias. Sherlock Holmes e o inspector Maigret são apenas dois dos herdeiros de Dupin. Acima de tudo, foi um mestre a explorar, em poesia e em prosa, os recantos mais negros da psicologia humana e a sua própria obsessão com a morte. Várias vezes foram levantadas dúvidas sobre a saúde mental de Poe, o que o tornou uma figura de culto ainda maior. Poe nasceu em Boston; foi abandonado pelo pai aos dois anos e ficou órfão de mãe aos três, tendo sido depois adoptado pela família Allan. Chegou a fazer estudos universitários e passou pela carreira militar. Tentou viver das colaborações em várias revistas literárias e jornais (onde se destacou como crítico literário temível), mas toda a vida precisou de ajuda financeira para sobreviver, para o que também contribuíram os seus problemas com o jogo e com o álcool. Em 1845 publicou o poema O Corvo, que se tornou um êxito imediato. Casou com Virginia Clemm, uma prima de 13 anos, quando tinha mais do dobro da idade dela. Virginia morreria anos mais tarde, de tuberculose. A própria morte de Poe está envolta em mistério, desconhecendo-se as causas exactas. Poe tinha partido em viagem para Nova Iorque, mas esteve desaparecido durante alguns dias e foi encontrado em Baltimore, bêbado e quase inerte. Levado para o hospital, faleceu dois dias mais tarde”.

Autor será tema de eventos durante todo o ano em cinco cidades ligadas a sua vida e obra

São Cinco grandes cidades norte-americanas que farão celebrações do bicentenário de nascimento do autor americano Edgar Allan Poe.  Poe cresceu principalmente em Richmond, no Estado da Virgínia e em Adulto viveu entre Richmond, Baltimore, Filadélfia e Nova York.

Os eventos iniciaram-se em janeiro e continuam durante todo o ano incluindo: performances, novas exposições em museus, leituras dos seus textos, debates académicos e, em Baltimore, uma encenação do funeral de Poe – desta vez para marcar os 160 anos da obscura morte do autor.

Para promover Poe, nenhuma cidade consegue competir com Baltimore, que baptizou a sua equipa de futebol de “Ravens” (corvos) em homenagem ao autor. A cidade também tem uma tradição em torno dele que fascina o público – em todos os aniversários da sua morte um visitante misterioso deixa meia garrafa de conhaque e três rosas vermelhas no local original de seu túmulo– os restos de Poe foram levados para outro local do cemitério em 1875.

Um autor fantástico e histórico que deixa um legado fenomenal de obras deslumbrantes…aqui no correio lembramos o homem que escreveu clássicos como o poema “o corvo” ou o fantástico conto de terror “the black cat” e que inspirou milhões de leitores durante todos estes anos…

Aqui fica uma das mais apreciadas obras de Poe, o poema o Corvo, traduzido por Fernando Pessoa:

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
“Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais.”

'Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, vagos curiosos tomos de ciências ancestrais ...' (Ilustração de Gustave Doré)

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais –
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo:
“É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais.”

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
“Senhor”, eu disse, “ou senhora, de certo me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo
Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

'E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais.' (Ilustração de Gustave Doré)

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais –
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
“Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
É o vento, e nada mais.”


Roberto Mendes

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Uma resposta a 200 Anos de Poe!!!

  1. Os anos passam, mas o mestre é eterno.🙂

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