Circulo de Leibowitz: Crítica a The Centauri Device e entrevista com o autor!

É imperativo começar por pedir desculpas aos leitores pelo atraso. A  justificação do mesmo prende-se com uma pequena surpresa que o correio do fantástico preparou: uma entrevista com o autor da obra em apreço!

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The Centauri Device não é um livro fácil. É um fruto da sua época, os anos setenta, influenciado pelo movimento New Wave que surgia em vozes importantes, que além de M.J. Harrison se estenderam a autores com T. Sturgeon, Michael Moorcock e Ray Bradbury, entre outros. Assim, embebido neste pano de fundo, The Centauri Device não é simplesmente uma Space Opera, é muito mais que isso! A primeira questão que coloquei a M. J. Harrison prende-se exactamente com este pano de fundo : Olhando para o passado, o que acha de The Centauri Device?

It was a typical piece of New Wave thuggery: far too much energy placed in the service of sarcasm. Thomas M Disch told me: don’t waste yourself on this book, you will only regret it later. I told myself later: you only have yourself to blame if you steal the milk van and then complain it won’t corner like a Ferrari. By that I mean: space opera could never bear the weight I put on it.

A história resume-se de forma simples, não que esta obra padeça de pouca envergadura ou seja lacunar; Truck, o personagem principal, é o capitão de uma pequena nave que vagueia pelo espaço; Mas Truck é muito mais que isso: é um verdadeiro Centauri, e apenas ele poderá aceder a uma arma alienígena e poderosa que é cobiçada por duas super forças, a Israeli World Government e a United Arab Socialist Republics, o que consiste numa verdadeira referência às forças que dominavam os anos setenta, numa paródia do autor à politica do seu tempo. Estas duas super potências farão tudo para capturar Truck, para assim obterem a arma: o centauri device!

Mas terá sido uma obra difícil de escrever?

It was very difficult to write. I expanded it from a short story which had been published in The Magazine of Fantasy & Science Fiction. I lost faith in the process quite early and never quite regained it. I wrote some of the book in the cellar of Michael Moorcock’s house in Yorkshire. That seems to sum it up, really.


A escrita de M. J.Harrison é complexa, fazendo uso da prosa poética que toma o lugar de maestro da história, fazendo dançar no ar as palavras, ora de forma mais enérgica, ora mais lentamente, sempre acompanhadas com os temas recorrentes da literatura dos anos setenta: os problemas com o consumo de droga, o sexo, enfim, a condição humana! O Personagem principal, Truck, não pertence à categoria de personagens que apaixonam o leitor, muito pelo contrário; esta é uma personagem que por vezes repugna e enfurece o leitor. Mas quem disse que as personagens principais têm de ser cativantes? Será negativo detestar a personagem? Parece-me que não, negativa seria a ausência de sentimentos do leitor, a incapacidade da obra criar no leitor algum tipo de sentimento, pois a literatura fantástica falha no seu objectivo quando tudo o que consegue provocar no leitor é uma sensação de indiferença. Mas será esta obra uma obra prima, a melhor obra do autor? M. J. Harrison respondeu-me a essa pergunta de forma contundente:

No, I’m afraid not. I’m always glad when anyone likes any of my books; but my masterpiece (if I can ever be said to have written one, which I think unlikely) is a novel called Climbers, or maybe The Course of the Heart, or maybe my collection of short stories Things That Never Happen. If you enjoyed The Centauri Device, you might enjoy these even more!

The Centauri Device é uma obra que aprecio bastante, contudo não existirão muitos leitores que concordem comigo; Chegamos por fim à última questão que coloquei ao autor : Em poucas palavras, como descreve The Centauri Device?

“I don’t know. It’s a very angry book, by a writer who feels cramped by his medium. Thomas Disch was right: I should have written something I enjoyed, instead of using a space opera to complain that I didn’t approve of space opera! On the other hand, it has a satisfying kind of rawness to it. It’s full of parodies, and some of the referential comedy still tricks the audience: a disgusted reader complained recently on the internet that a scene parodying Huysmans’ novel A Rebours wasn’t “believable”… So maybe the contempt and fine madness of The Centauri Device are still necessary to this day ?”

Roberto Mendes


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2 respostas a Circulo de Leibowitz: Crítica a The Centauri Device e entrevista com o autor!

  1. Excelente post🙂 Estava curioso em saber a tua opinião em relação a este livro (já que as outras não foram tão positivas assim…), e as palavras do autor deram um toque de diferente a este texto.
    😉

  2. igdrasil diz:

    obrigado Francisco. É verdade, as palavras do autor dão um toque especial, por isso adiei o post até que o autor me enviasse as respostas…o que demorou mais tempo foi conseguir falar com o autor, mas assim que entrei em contacto com ele o mesmo demonstrou ser muito simpático e prestável! Concordo em algumas coisas que podem ser lidas nas outras análises a este livro, principalmente com o facto de não ser um livro de leitura fácil, contudo penso que é um bom livro! Roberto Mendes

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