A Influência Cristã na Terra Média-Joseph Pearce

tolkien

Para quem aprecia a obra de Tolkien, aqui fica um texto de Joseph Pearce, traduzido e publicado no site brasileiro Dúvendor:

Que O Senhor dos Anéis é a obra de um católico devoto é um fato conhecido. Seus cantos élficos estão forjados segundo umas linhas melódicas que evocam a Benção, e sua estrutura moral procede diretamente do Novo Testamento. Esta é, pois, uma obra cristã, ainda que de gênero antiqüíssimo e ao mesmo tempo brilhantemente original. Na medida que avança dos capítulos iniciais situados no Condado à vasta tela da Terra-media, O Senhor dos Anéis consegue integrar a forma da novela moderna à tradição muito mais antiga da poesia épica e da saga heróica. Isto não significa que Tolkien fora um bardo profissional louvando as gestas do seu herói tribal ou embelezando antigas lendas em algum castelo cheio de fumaça. Era um catedrático de Oxford, um professor de línguas que tinha de escrever suas histórias na solidão da noite e a risco de perder sua reputação diurna. O mais perto que esteve de uma fogueira de castelo foi na taberna cheia de fumaça The Eagle and Child, com seus amigos os Inklings. O Senhor dos Anéis não é uma obra sem defeito, mas é mais rica e profunda que muitos livros preparados mais cuidadosamente por homens menos profundos. O que levava Tolkien a trabalhar até altas horas da noite não era só o desejo de contar uma história, mas a consciência de que ele era parte de uma historia. Talvez estivera escrevendo ficção, mas estava narrando a verdade sobre o mundo, como esta revelava-se para ele. E esta verdade foi descoberta na medida de que escrevia. “Tive sempre a sensação de registrar o que sempre esteve ‘ali’, em alguma parte, não de inventar”, disse em uma das suas cartas. […] O Senhor dos Anéis trata de uma Busca, mas sua redação foi também uma Busca, assim como pode sê-lo sua leitura. A Busca é, sem lugar a dúvidas, uma das três ou quatro “estruturas profundas” utilizadas pelos narradores. Uma Busca é qualquer viagem na qual deve alcançar-se um objetivo difícil, acometer algum desafio, passar por alguma iniciação, ganhar ou descobrir algum objeto, local ou pessoa. A razão que explica a persistente popularidade do livro é evidente. Uma Busca deste tipo dá sentido à nossa existência. Não estamos onde queremos ou não somos o que desejamos ser: para chegar ali é necessário viajar, ainda que viajando, como G.K. Chesterton e T.S. Eliot, só para retornar ao ponto de partida “e conhecer o lugar pela vez primeira”. (Little Gidding) Todos sabemos, no fundo do nosso coração, que nossa vida não é simplesmente um progresso mecânico do berço ao túmulo, senão a busca de algo, de um esquivo tesouro. Este objetivo final inspira nosso trabalho e nosso comportamento. A Busca desencadeia nossa nostalgia de um paraíso perdido, nossa anseio de restauração e realização vindouras. O livro que conhecemos como O Senhor dos Anéis é só um fragmento de um corpo muito mais amplo de contos, a maioria dos quais não foram publicados na vida de Tolkien. No transcurso dos anos foi ampliando-os pouco a pouco, preenchendo uma vasta tela histórica, tecendo tema sobre tema, até que a coleção chegou a ser uma “grande árvore”, sólida e venerável como um velho carvalho, a tentativa de uma mitologia para Inglaterra. Como filólogo, Tolkien estava bem preparado para sua Busca pessoal. Já na escola havia aprendido sem ajuda uma dúzia de idiomas. E como cristão, sabia que “no principio a Palavra era… nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. Sua mitologia própria inicia com a criação. O Deus Único, Ilúvatar, dá existência ao mundo com a palavra, “Eä! Que estas coisas existam!” Enviando ao vazio à Chama Imperecível. Depois do momento exato da criação está a musica dos Ainur, a harmonizados arquétipos. Mas Eä, o mundo que é, começa, como no livro do Gênesis, com a Palavra e a Luz. A árvore dos Contos de Tolkien cresceu a partir de uma única semente. Em uma de suas cartas descreve o momento exato em que essa semente começou germinar. Em 1913, em quanto lia o poema Crist do escritor anglo saxão do século VIII, Cynewulf, dois dos versos impressionaram-lhe poderosamente: Salve Earendel, o mais brilhante dos anjos, Enviado aos homens sobre a Terra Media. “Senti uma curiosa excitação – escreveu Tolkien – como se saindo de um sono, alguma coisa se agitara em mim. Atrás daquelas palavras havia algo muito remoto, raro e formoso, se podia apropriá-lo, algo que estava muito alem do antigo inglês”.

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