A Guilda dos Mágicos

A Guilda dos Mágicos deu a conhecer  a australiana Trudi Canavan, a nível internacional. Editado recentemente no nosso país pela Bertrand, este é o primeiro volume da Trilogia do Mágico Negro, que continua com The Novice e The High Lord.
Neste livro, inicía-se história de Sonea, uma jovem órfã e pobre, aparentemente comum, mas que num ímpeto de fúria ataca um mágico… com magia. Tal ocorre durante o dia da Purificação, quando os mágicos são convocados a varrer os pedintes, criminosos e vagabundos para fora dos portões da cidade. Trata-se da desconfortável realidade de Imardin, a capital de Kyralia, delimitada por altas muralhas e costumes antigos.
A partir daquele confronto inusitado, Sonea torna-se uma fugitiva. Os mágicos prometem ajuda-la, mas as suas intenções são duvidosas. Com o apoio de velhos amigos, consegue manter-se fora do alcance da Guilda durante algum tempo. Aproveita-o para explorar as suas novas capacidades. No entanto, é inexperiente, e o poder que tem latente ameaça fugir do seu controlo.
A história começa por centrar-se nesta caça e fuga: a protagonista e os companheiros movem-se pela cidade, e os mágicos fazem esforços para os capturar. Esta seria uma boa oportunidade para a autora partilhar connosco o mundo que criou, mas as descrições não vão para além da organização estrutural e social da cidade… Os poucos momentos sobre a história e origem do espaço e das personagens não saciam a curiosidade, antes pelo contrário: aumentam-na. Espero, por isso, ver estes tópicos aprofundados nos volumes seguintes.
Descrições à parte, não posso deixa de destacar os diálogos. São bem explorados e especialmente relevantes para o desenvolvimento da história. Nalguns casos, têm a particularidade de incluir especificidades como o sotaque, o que se traduz em momentos engraçados.
Há medida que a história vai avançando, a acção tende a centrar-se na Universidade, onde novos mágicos são formados. Também aqui, a narrativa fica um pouco aquém daquilo que eu esperava, na medida em que as potencialidades do cenário não são suficientemente exploradas.
Assim sendo, diria que a história é narrada sem uma grande preocupação com os pormenores, e talvez por isso ela seja tão fluida. O facto é que se trata de um livro que se lê com facilidade, é interessante e suficientemente original. Peca, no entanto, pela superficialidade e pela falta de intrigas secundárias e verdadeiras surpresas.
Acaba por ser uma narrativa sobre um mundo com contornos medievais, no qual a magia é parte integrante da sociedade. O toque feminino dado pela protagonista, as personagens criativas e os diálogos cativantes tornam-na uma leitura interessante para os fãs do género.
Quanto a mim, espero pelos próximos volumes.
Tradução: Andreia Mendonça; Edição: Bertrand Editora, 2009
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