Dagon – Resenha de Rogério Ribeiro

Podem ler aqui as opiniões de Rogério Ribeiro sobre o primeiro número da revista “Dagon”. Era uma resenha que esperava com ansiedade, sobretudo pela honestidade que o Rogério empresta às suas críticas e por se tratar de alguém que conhece muito melhor que eu estes universos. Devo dizer que, tal como aconteceu com as suas críticas ao número zero, também com estas linhas aprendi bastante e percebi alguns erros cometidos. Ficam infra algumas das linhas do seu texto:

Esta resenha irá assentar necessariamente em duas linhas-mestras, que porventura se irão revelar por vezes irreconciliáveis: o entusiasmo militante pelo aparecimento de mais uma publicação em papel sobre literatura fantástica e a atenção à qualidade e substância exigíveis a qualquer obra deste género.

(…)

A revista propriamente dita é agradável de manusear, e atractiva à vista. A ilustração da capa, da autoria de Miguel Ministro, inspirada no conto de Luís Filipe Silva, é impactante e está bem interligada com o cabeçalho da revista; apesar da interferência constituída pela introdução do nome do editor, em letra dissonante, logo abaixo do cabeçalho (uma escolha assaz invulgar para a capa!).

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Quanto ao conteúdo literário, foi bem equilibrado entre nacionais e estrangeiros, e entre veteranos e novos autores.
A abrir, Luís Filipe Silva apresenta-nos “Dormindo com o Inimigo”, uma homenagem à série Twilight Zone, anteriormente publicado na antologia brasileira Galeria do Sobrenatural (2009). Nele, o último homem na Terra descobre uma fêmea humanóide capaz de despertar em si a mais básica das necessidades. Escusado será dizer que a conclusão é bem diferente da esperada pelo leitor, num verdadeiro referencial à ficção científica dos anos 50-60. O desenrolar do conto apenas é prejudicado pela clarificação tardia da origem do último homem na Terra, e no fundo do verdadeiro cenário da história; incógnita que distrai desnecessariamente o leitor até três quartos do conto.

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Sobre a peça “Glória Perpétua”, de Roberto Mendes, pende uma espada muito mais pesada. Neste tipo de publicações existe sempre uma grande celeuma sobre a participação dos próprios editores. Alguns resolvem isso publicando-se sob pseudónimo; ao mesmo tempo uma maneira de testar a verdadeira reacção aos textos, não filtrada pelas amizades ou inimizades dedicadas ao editor. Outros decidem assumir a sua autoria, submetendo-se a um escrutínio mais exigente do conteúdo.
No caso presente, este exercício de escrita angustiada (e angustiante) surge como o elo mais fraco de toda a revista. Com uma escrita palavrosa, mas ao mesmo tempo vácua, Roberto Mendes consegue alienar o leitor ainda antes de terminado o (curto) texto. E nem o chamar-lhe (no posfácio) “prosa poética” serve de salvação!

(…)

Roberto Mendes


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