A Essência da Lâmina

Não é segredo nenhum que gosto do trabalho de Filipe Faria. E partilho da sua indignação contra as vozes que protestam sobre a qualidade da sua obra, uma indignação suave, porque, como ele diz, não se importa com as críticas. E eu acho muito bem…

As Crónicas de Allaryia têm uma grande semelhança com o Senhor os Anéis, isto é inegável, mas são só semelhanças e existem bastantes diferenças que o autor consegue muito bem explicar. E neste volume, elas voltam a surgir, não que isto seja mau, ou bom, mas só para que saibam que aqui e ali irão identificá-las.

A Essência da Lâmina, cuja importância havia sido enfatizada pelos volumes anteriores, é, até mais ver, pois ainda não li os restantes livros, aquilo que dará a Aewyre Thoryn a vantagem sobre SaltorO Flagelo. Por isso esperava muito deste volume. Esperava um grande desenvolvimento neste livro que, na minha perspectiva, iria relatar-nos a conquista do domínio da essência, fosse ele partilhado com Kror – o Drahreg – ou não. Por isso, confesso já a minha desilusão.

A história começa bem e acaba melhor ainda. E há uns momentos bastante interessantes pelo meio que são, na minha opinião, de fulcral importância.

Como devem calcular, não vou relatar a história, pois é meu objectivo leva-los a ler o livro.

Isto pode parecer-vos estranho…

Passo a explicar. É minha humilde opinião que o miolo da Essência da Lâmina poderia perfeitamente ter sido diluído no volume posterior, pois em grande parte do livro não se passa nada. Mas isto é a minha opinião, pois esperava outra coisa do livro…

Todavia, não sei qual era o objectivo do Filipe Faria quando o escreveu, e não tenho pretensões algumas de saber – aliás, ninguém devia ousar pensar que sabe o que um autor pretende dizer. O que sei é aquilo que o livro transmitiu no global.

No global, ficou a sensação de marasmo, de desorientação, de expectativas quebradas, exactamente aquilo que seria de esperar num mundo que aguarda o regresso de uma guerra avassaladora. E isto, na minha perspectiva, serve um propósito:  mostrar ao leitor o sentimento de um mundo e apimentar a curiosidade sobre o que aí virá…

O livro tem momentos altos, ou detalhes que destaco:

 – o sucedido a Lhiannah

– a Cidadela da Lâmina

– o breve ressurgir de Taislin Mãosdelã

– a Culpa

Não esperem um livro de grande acção como os anteriores, mas leiam-no, pois será fundamental para entenderem o resto da história, leiam-no pelos momentos altos, e leiam-no, principalmente, porque é uma boa história.

Sobre Paulo J Fonseca

Escritor, leitor, apreciador do cinema e videojogos, admirador de artes digital e «ouvidor» de música. Gosto de divulgar tudo aquilo que me parece bom, tal como alertar para tudo aquilo que, parecendo bom, pode não ser tão bom assim.
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5 respostas a A Essência da Lâmina

  1. Morrighan diz:

    Olá Paulo,

    Este é o próximo livro que vou ler do Filipe Faria.
    Se há coisa que tenho aprendido nos últimos meses é que não se deve esperar nada dos livros.
    Não quero com isto dizer mal, quero dizer que se não esperarmos nada, dificilmente nos desiludimos.

    Eu tenho adorado os livros do Filipe Faria. Só li até o anterior a este e sinceramente, no fim, só queria começar a ler o próximo. Mas gosto de saboreá-los e resisti à tentação. Vou lê-lo mais tarde.

    A tua opinião, sem dúvida, que veio apoiar ainda mais a decisão de não esperar nada. Normalmente sou sempre surpreendida pela positiva.

    Reforço ainda, que para quem gosta do fantástico e de ir acompanhando os autores portugueses, Filipe Faria é dos melhores que tenho tido até agora.

    Continuação de boas leituras!

    • paulopfonseca diz:

      Ol Sofia!

      Por muito que gostasse de concordar contigo, considero impossvel no criar expectativas perante o que quer que seja , pelo menos a partir do momento em que conheces algo sobre… E quanto a este livro, mantenho o que disse, pois esperava outra coisa. *Mea culpa…*

  2. Hello,

    Já li esse livro, já li os anteriores e já li os que lhe seguem. E, por mais críticas que possa escutar que falem mal da história que o Filipe Faria criou, ou mesmo da escrita dele, o facto é que não concordo absolutamente com nada (ou pelo menos não com a maior parte do que se diz). O Filipe é um óptimo escritor que, na minha sincera opinião, tem vindo a melhorar muito de livro para livro.

    Continuem a ler ^^

    Abraços!

    • paulopfonseca diz:

      Concordo contigo. Para que no existam confuses: eu gosto muito do que o Filipe Faria escreve, e sou o primeiro e levantar a voz contra quem diga mal do seu trabalho. No se deve confundir o meu gosto pessoal com a qualidade da obra. Eu pelo menos sei distinguir ambos. Por isso digo que me desiludi, pois esperava outra histria, e digo tambm que devem l-lo porque uma boa histria.

  3. Também sou fã do autor, só me falta mesmo ler o último volume, que estará à venda antes do final do ano.

    Tenho agendada uma entrevista com o autor para publicação numa revista cultural que estará nas livrarias em Setembro (não, não é mais uma revista de fantástico, é generalista, para já chegam a Dagon e a Bang!).

    Torci o nariz na altura quando a obra saiu, comprei de uma só vez os volumes 1 e 2 e repousaram na biblioteca lá de casa até quase à saída do terceiro, depois li-os de enfiada e contactei directamente com o autor durante algum tempo. Ouso mesmo afirmar que só voltei a ler obras de autores nacionais depois de ler Filipe Faria, ou melhor, dos restantes autores uma vez que antes de Filipe Faria só lia um: o João Aguiar (que também tem obras de fantástico).

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