Opinião: A Noite e o Sobressalto de Pedro Medina Ribeiro

A Noite e o Sobressalto – Sete Histórias de Mistério
Pedro Medina Ribeiro

Editora: Oficina do Livro
Nº de Páginas: 181

Sinopse: O que têm em comum Londres, Berlim, Alentejo ou Praga? São cenários onde se desenrolam as histórias reunidas neste livro, na tradição da narrativa fantástica de Edgar Allan Poe ou Sir Arthur Conan Doyle.

Um convidado surpresa. Uma festa secreta com um desfecho imprevisto. Uma casa assombrada e uma família destroçada por um mistério. Um escritor e um amigo perseguido pela lenda de um homem de capuz. Uma herança inesperada e uma maldição.

Pedro Medina Ribeiro, numa escrita elegante e rica em imagens, transporta-nos para um universo de mistério em que nem tudo é o que parece, cativando o leitor pela qualidade da narrativa e prendendo-o pela curiosidade, só o largando no final de cada história, de forma repentina e surpreendente. Em sobressalto.

Excerto: «Com uma linguagem elegante e rica de matizes, o autor esculpe com as metáforas, comparações e jogos de palavras o absurdo mundo de aparências, que é o das suas personagens, sem deixar todavia de ser o nosso, revelando com esse distanciamento a sua maturidade como escritor.»
Deana Barroqueiro, in Prefácio

Opinião: Este é o primeiro livro de Pedro Medina Ribeiro. Com uma escrita fluidíssima, divertida e séria ao mesmo tempo, o autor, leva-nos a viajar a cenários surpreendentes. Com um prefácio de deixar água na boca, foi com certa ansiedade que comecei a ler o livro. Acreditem, as palavras de Deana Barroqueiro não podiam estar mais certas e adequadas.

Composto por 7 contos, este livro transporta-nos através de 7 cenários sobrenaturais diferentes. Para quem gosta do sobrenatural, acreditem que não podem perder este livro. E por favor, não menosprezem os livros de contos. Este livro é a prova viva que um livro de contos consegue ser empolgante e viciante. Li os seis primeiros contos numa noite e o sétimo ontem à noite. Acho que não os li de uma vez porque já estava morta de sono.

É claro que vou querer saboreá-los um pouco mais e lerei novamente. Mas estava a gostar tanto que na altura só tinha mais e mais curiosidade.

Sinceramente, ler este livro fez-me lembrar aquelas alturas em que os amigos se sentam à volta de uma fogueira, num campismo, e decidem começar a contar histórias ou lendas antigas.
Acho que cada conto deste livro dava uma bela história para ser contada nessas circunstâncias.

Os dois contos que mais gostei foram: A Séance, e A Herança.

Em A Séance, Bernhardt, que procura  emprego, vai visitar o seu ilustríssimo padrinho, Herr Multscher. Quando chega a casa deste, descobre que o padrinho vai receber em sua casa o famoso médium espírita Guillermo Maura, e que vai haver uma Séance com esse espírita. Bernhardt, que não acredita em nada dessas coisas espíritas, aceita participar na mesma. É quando começa a Séance que várias coisas estranhas começam a acontecer. Uma mulher morre durante a Séance, e outras mortes se vão sucedendo à dela. Estarão assombrados? A sessão espírita, funcionou mesmo? Quero destacar neste conto, a maneira como o autor descreve todos os cenários e estilos de vida na Alemanha do século XIX. Todos os discursos polidos e os comportamentos das pessoas, estão muito bem caracterizados e descritos. Também toda a sua componente esotérica está bastante real e conseguimos mesmo sentir-nos na pele da personagem principal.

No conto A Herança, Benjamim Walker, numa das suas noites rotineiras, em que fuma um charuto e bebe um cálice do Porto na sua poltrona, recebe um bilhete muito estranho: “Enquanto há dívidas, não há herança”. Logo no dia seguinte, descobre que é dono uma herança de um rival seu de trabalho (ambos donos de barcos de mercadorias). Quando não é para seu espanto, que recebe duas miniaturas dos seus dois barcos, dentro de garrafas. Completas obras de arte. E tudo corre bem até que vários barcos dos seus conhecidos e rivais, começam a naufragar, sucessivamente. Um conto que me colocou super ansiosa pelo desfecho! A procura intensa pela causa, coincidências que afinal não são meras coincidências mas sim fruto de algo que não compreendem. A demanda pela razão de todos os acontecimentos inexplicados é, assim, uma aventura que acompanhamos sempre com grande ansiedade.

Resumindo, todos os contos nos deixam com o sangue a ferver ansiando por mais.

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