Opinião: Imperfeitos de Scott Westerfeld

Imperfeitos (Uglies #1)
Scott Westerfeld

Editora: Vogais&Companhia
Nº de Páginas: 336

Sinopse:Num mundo de extrema beleza, a normalidade é sinónimo de imperfeição.
Num futuro não tão distante quanto isso, não há guerras, nem fome, nem pobreza. O mundo é perfeito. Todos são perfeitos. Pelo menos, depois de completarem 16 anos.
Qualquer um pode ter a aparência de um supermodelo… e que mal haveria nisso?
Tally Youngblood mal pode esperar pelo seu décimo sexto aniversário, altura em que será submetida à cirurgia radical que a transformará de uma mera Imperfeita para
uma deslumbrante Perfeita. Uns lábios bem delineados, um nariz proporcional, um corpo ideal… é tudo o que sempre quis. Já para não falar que uma vida de diversão num paraí so de alta tecnologia espera por si.
Mas quando a sua melhor amiga decide virar as costas a esta vida perfeita e foge, Tally descobre um lado inteiramente novo do mundo dos Perfeitos – e que, por sinal,
nada tem de perfeito. É então forçada a fazer a pior escolha possível: encontrar a amiga e traí-la ou perder para sempre a possibilidade de se tornar Perfeita.
Seja qual for a sua decisão, a sua vida nunca mais será a mesma.

Opinião: Scott Westerfeld já tinha sido uma revelação espantosa com a sua série Midnighters, mas com a série Uglies, penso que para além de se afirmar como um autor de qualidade, vai ganhar ainda mais respeito por entre as massas. Enquanto a trilogia Midnighters é de fantasia urbana, a série Uglies é de ficção científica o que também prova a versatilidade do autor.

Imperfeitos, o primeiro livro da série Uglies, deixa uma grande marca em nós. Neste mundo, aos 16 anos toda a gente se torna perfeita. Numa operação onde esticam ou encolhem a estrutura óssea das pessoas, onde as tornam simétricas, todas num padrão de suposta beleza reconhecida por todos os códigos genéticos.
Podemos mesmo dizer que o livro é todo ele uma grande metáfora num mundo distópico onde o que conta é ser-se perfeito.

Temos então Tally e Shay, duas raparigas de 15 anos que se conhecem algumas semanas antes de fazerem 16 anos. Como qualquer imperfeito da Imperfeilândia, o que mais gostam de fazer é traquinices e decidem aventurar-se fora da Imperfeilândia, nas Ruínas dos antigos Ferrugentos. Podemos encarar os Ferrugentos como a representação da nossa sociedade actual, mas mais evoluída, onde a manipulação genética está na ordem do dia. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu para essa sociedade, dos Ferrugentos, desaparecer, mas desde cedo, os Míudos e os Imperfeitos são educados para repugnar tal estilo de vida e são incentivados para se tornarem Perfeitos. Só assim pode haver harmonia naquele mundo.
Numa dessas aventuras, Shay conta a Tally que conhece alguém que não é Perfeito e que ela também não se quer tornar perfeita. Tally acha que Shay não está a bater bem da cabeça. Quem é que não quer ser Perfeito? Quem é que quer ter uma testa grande demais, ou uns olhos demasiado juntos, ou até uma cicatriz algures? Quando Shay foge, Tally fica atónita sem saber o que fazer.

A partir dali é a aventura total. Um vício que vai crescendo em nós em que só queremos ler página após página. O autor tem a mestria de nos ir guiando, viciando, uma adrenalina que se entrenha em nós. Por vezes não sabemos bem de que lado estamos. As várias personagens têm perspectivas diferentes e mesmo Tally sendo, supostamente, a representação da típica adolescente fútil dos dias de hoje, ganhamos um carinho enorme por ela e vamos acompanhando as suas lutas interiores e as suas mudanças. O acto final dela, deixa-nos de coração apertado e só temos vontade de ter o próximo livro nas nossas mãos para mais uma vez o devorarmos.

Uma leitura que apreciei imenso e que mostrou, mais uma vez, que Scott Westerfeld é um mestre em contar histórias, desta vez duma forma mais profunda que nos faz reflectir imenso. Aconselho a toda a gente sem qualquer tipo de restrição.

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