Sangue-do-Coração

Acabei de ler Sangue-do-Coração – o meu primeiro livro de Juliet Marillier. 

A primeira questão que me surge é: 

Por que razão levei tanto tempo a pegar num livro desta autora fantástica?

Muitos apontam Juliet Marillier como a sucessora de Marion Zimmer Bradley. Apesar dessa colagem/rotulagem, para mim, não fazer sentido, quanto mais não seja porque Bradley terá sempre um lugar especial nas minhas estantes, consigo compreendê-lo.

No entanto, acredito que ler um livro de um autor não me faz especialista – se é que alguém o pode ser; pelo que não irei alongar-se sobre isso, dizendo, ainda assim, que é notória a influência de Zimmer Bradley, principalmente, na hegemonia dada às mulheres. E sobre isso haveria muito para dizer, mas não será aqui.

Comecemos pelo título: Sangue-do-coração, para além do nome de uma erva rara que existe no jardim de Whistling Tor– onde se passa a acção -, usada pelos escribas – como a personagem principal – para fazer tinta, é uma maravilhosa metáfora para história que nos é contada, em todas as suas dimensões. É raro encontrarmos uma consistência semelhante entre os títulos e as narrativas – embora, acredito, que sempre assim devesse ser.

Caitrin, é a personagem principal. Escriba de profissão – algo pouco usual para a época -, aprendera o ofício com o pai – que, entretanto, falecera; frágil e cheia de medos, surge-nos a meio de uma jornada, praticamente abandonada nos campos, com a noite a aproximar-se. Um cenário pouco provável para semelhante personagem e que nos deixa de imediato interessados.

Em pouco tempo nos apercebemos que Caitrin fora atirada para a vida por circunstâncias nefastas e que tentava, a todo o custo, sobreviver.

A Jornada leva-a a Whistling Tor, uma terra amaldiçoada, subjugada pelo medo: estranhas coisas se passam por lá…

O mal de se falar de uma história que se adorou é que temos tendência a contá-la. Por isso, calo-me. Quero que todos a leiam. Não irei falar mais sobre a história. Aliás será difícil fazer um melhor comentário do que aquele que consta da capa:

«Nas mãos capazes de Marillier, este é um mistério sobrenatural poderoso e um romance que nos deslumbra.», Booklist

O medo e o mistério transpiram em cada excerto, um passado negro e assombroso espreita em cada virada de página; as consequências dos erros do passado pesam sobre todos os personagens do livro, mas a esperança e a fé brilham sobre toda a história, como um sol.

Foi um livro que não descansei enquanto não o terminei; mas quando cheguei ao fim tive pena de tê-lo acabado.

Juliet Marillier acabou de ganhar uma estante na minha casa.

Sobre Paulo J Fonseca

Escritor, leitor, apreciador do cinema e videojogos, admirador de artes digital e «ouvidor» de música. Gosto de divulgar tudo aquilo que me parece bom, tal como alertar para tudo aquilo que, parecendo bom, pode não ser tão bom assim.
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Uma resposta a Sangue-do-Coração

  1. Paulo, só te posso dizer que não leste, de longe, o melhor que a Juliet tem =)
    É uma das minhas autoras favoritas. Recomendo que leias os livros dela pela ordem de publicação, começando pela a Trilogia Sevenwaters e pelo menos até às Crónicas de Bridei. Daí em diante os livros dela mudam um pouco, mas é sem dúvida uma magnifica contadora de histórias🙂

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