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Dagon

Uma reacção à sessão de apresentação da Dagon por parte de Pedro Ventura e as duas primeiras críticas à revista:

Pedro Ventura


Teve assim lugar o lançamento da Dagon na Invicta e, em minha opinião, a concretização do sonho do Roberto Mendes e da Rita Comércio ( que finalmente conheci! ) não podia ter sido melhor. Um sonho movido pelo puro prazer e amor ao Fantástico, coisa rara nos dias que correm… Uma iniciativa rara e que poucos teriam a coragem de concretizar. Mas o entusiasmo do Roberto parece-me ser daquele capaz de mover montanhas. Bem Haja!

Muito público a encher o Clube Literário do Porto e a participar activamente nos debates. Uma participação tão “apaixonada” que acabou por faltar tempo para abordar outros temas mas, haverão outras oportunidades! – e será em breve publicado neste blog um resumo dessas temáticas.

Alguns rostos já conhecidos como Rogério Ribeiro ( que me parece ter sido uma figura chave na concretização deste evento ), Luis Filipe Silva e João Barreiros, nomes sobejamente conhecidos. Foi ainda a oportunidade de conhecer pessoalmente a Carla Ribeiro, algo que andava adiado. Havia por ali muita gente que participa no Correio da Fantástico ( desculpem mas sou péssimo a memorizar nomes ) com quem eu gostava de ter tido tempo para falar, mas não fica esquecida a ideia… Este foi, sem dúvida, não só um encontro de escritores e designers, mas também um encontro de “bases” e isso é sempre positivo.

Parabéns a todos e obrigado!

E agora as críticas, uma do blogue Donagata e outra de Carla Ribeiro. Ficam os links e partes das críticas:

Carla Ribeiro

É possível que, enquanto autora de um dos contos incluídos nesta revista, a minha opinião possa ser um pouco suspeita. Por isso, fica desde já a ressalva de que, em todos os comentários feitos à revista na sua generalidade, estou a ignorar os aspectos respeitantes ao meu conto. É também esse o motivo que me leva a enveredar por um comentário mais específico a cada um dos conteúdos, ao invés da revista na sua totalidade. Antes, contudo, de passar ao conteúdo em si, fica uma nota positiva para a organização e aspecto da revista que, para mim, são bastante apelativos.

Mas passemos ao conteúdo e segue-se um breve comentário a cada um dos contos e artigos incluídos neste número um da Dagon.

Dormindo com o Inimigo, Luís Filipe Silva
Um conto envolvente, surpreendentemente fácil de entranhar na nossa imaginação e que cria, quase imperceptivelmente, uma ligação instantânea entre leitor e personagens. Com uma escrita cativante e um final de impacto, foi, para mim, o texto mais marcante desta revista.

Sitges 2009, Luís Canau
Não tenho estado particularmente a par das novidades cinematográficas, mas, no que ao fantástico diz respeito, este foi um artigo que me despertou a atenção para vários filmes. Claro e completo, mas sem revelar demasiado, desperta o interesse e desvenda parte do que podemos esperar dessas produções, para além de dar uma ideia bastante clara do que foi o festival de Sitges.
Donagata

Li-a ontem. A revista, claro.

E, devo confessar, que aquilo que li ultrapassou bastante as minhas expectativas mesmo depois de ter ouvido a intervenção dos autores aquando da apresentação. Uns, naturalmente, deixaram-me mais curiosa do que outros. A verdade, porém, é que todos me surpreenderam.

Havia já bastante tempo que, por norma, não era consumidora de literatura de ficção científica e, mesmo da literatura fantástica, tão na moda actualmente, só tenho lido autores “clássicos” em relação aos quais sei (ou julgo saber) com o que posso contar. As incursões por autores mais actuais ( e refiro-me sempre a literatura traduzida), revelaram-se uma grande seca. Perdoem-me a vulgaridade do vocábulo mas é, sem dúvida, o que melhor ilustra o valor do que li; fraquinho, fraquinho, fraquinho….

Julguei eu que tal afastamento se devia um pouco à idade que, à medida que aumenta, vai-nos alterando os gostos e as disposições para.

Mas afinal, se calhar, não! Não é uma questão de idade. É, sim, uma questão de qualidade!

Pois, para espanto meu, fiquei presa aos contos, pequenos é certo, que a revista traz. E até para ser inteiramente franca, o que menos apreciei (talvez porque não tenha sabido fazê-lo e precise de o reler) foi o de Nir Yaniv, escritor/editor/músico israelita que aparece com provas dadas.

Por isso, a partir de agora vou andar muito mais atenta em relação ao que se produz neste campo no nosso país pois o pouco que li foi francamente encorajador.

Clique aqui para ler mais…


Rahê

À mais de 2 anos atrás o Roberto começou a escrever uma história nova e eu pedi-lhe a descrição de dois dos personagens da história para ver se conseguia fazer qualquer coisa. Um esboço surgiu e o Roberto adorou, mas nunca consegui fazer muita coisa com o esboço…

Agora 2 anos depois meti mãos à obra e apesar de já não ter as descrições dos personagens saiu-me o desenho a seguir apresentado.

O personagem chama-se Rahê e sinceramente já não me lembro da história. :S Peço ao Roberto para escrever aqui a descrição do personagem e elucidar-vos com a sua história.

Espero que gostem pois deu-me um trabalhão desgraçado!

Apresentação da Dagon!

Pode adquirir a Dagon aqui!

Foi um final de tarde perfeito! A sorte estava do nosso lado, percebi isso assim que recebi a fantástica notícia de que afinal poderíamos usar o Anfiteatro para todo o evento. Depois de entrar pela primeira vez no Clube Literário percebi que se tratava de um local de excelência, capaz de nos proporcionar o ambiente desejado para a apresentação. A vista sobre o rio era maravilhosa, o espaço amplo (amplo demais pensei eu, apenas para me enganar redondamente quando a afluência ao espaço o fez parecer demasiado pequeno), algumas pessoas já tinham chegado…tudo corria bem!

Mas nem este optimismo me tinha preparado para o que se seguiria: sala cheia por uma plateia com imensa vontade de participar. A presença dos autores aliada à vontade dos leitores tornava  o ambiente fantástico, onde imperava a união!

Aliada à oportunidade de finalmente conhecer as pessoas com quem me correspondia na net (principalmente o Pedro Ventura, meu parceiro de aventuras literárias), foi-me dada também a possibilidade de conhecer novos entusiastas do género e de contar com presenças importantes no género do fantástico, como a Inês Botelho, por exemplo.

Os trabalhos gráficos de vários autores podiam ser apreciados, expostos nas paredes do anfiteatro. Andreas Rocha, João Paulo, Miguel Ministro e Rafael Mendes disponibilizaram os seus trabalhos, que deram outra beleza ao espaço.

Começaram então as mesas redondas, primeiro com o Rogério Ribeiro, o Pedro Ventura e a Carla Ribeiro. O tema de discussão centrou-se no futuro da literatura fantástica portuguesa e deambulou também por outras ideias, como a diferença entre os vários mercados lusófonos, a história da literatura fantástica portuguesa, entre outros. Foi um excelente diálogo entre o público e os oradores, educativo e com enorme interesse. Foi pena o tempo ser curto, pois ficaram alguns temas por abordar; Na segunda mesa redonda Luís Filipe Silva e João Barreiros falaram sobre a ficção científica enquanto género, sobre as distinções entre a FC e a restante literatura fantástica e sobre o significado de uma ficção científica internacional. Foi de novo espectacular, os sorrisos agigantavam-se ao espaço ao ouvir estes dois autores. Foi sobretudo muito educativo!

A tarde ia longa, e tanto a plateia como os oradores e organizadores precisavam de descansar. O intervalo revelou-se então um dos pontos altos do evento: foi possível provar o maravilhoso vinho do Porto a acompanhar umas saborosas bolachas, tudo oferecido pela Edita-me, enquanto a conversa fluía agradavelmente. O som do piano oferecia agora uma outra dimensão ao ambiente.

Interrompido o intervalo, a Dagon foi por fim apresentada! Logo depois a comunhão entre leitores e autores continuou, enquanto os últimos assinavam as revistas. As conversas foram surgindo de novo, naquele que foi um ambiente mágico de sala cheia, união e verdadeiro interesse literário!

Nunca imaginei algo assim: para mim foi perfeito!

Quero por fim agradecer à minha namorada,  à família que acompanhou o evento, a dois grandes amigos que nos acompanharam fim de semana fora, aos autores presentes, ao Carlos Lopes e toda a equipa da Edita-me e, como não poderia deixar de ser, a todos os presentes no evento!!! A todos um muito obrigado, sem vocês não teria sido igual!

Resta agora sonhar com um evento tão bom como este, desta vez em Lisboa, presumivelmente no dia 3, em espaço a confirmar!

Roberto Mendes

O Rafael, um miúdo de apenas 14 anos, tem uma enorme paixão pelo trabalho gráfico. Depois de expor um dos seus trabalhos na apresentação da Dagon, aqui ficam três trabalhos que se inspiram no infortúnio, na doença que nos pode assolar a cada momento que passa, enfim: na precariedade da espécie humana! Mais do que simples trabalhos, são inquietações e reflexões sobre o nosso interior. Mas porque uma imagem vale mais que mil palavras:

Podem ver mais aqui!

Entrem no site, escolham membros, designed head e, por fim, imagens!

Entrevista

Fui entrevistado pelo grande autor Brasileiro, Fábio Fernandes para os seus blogues. Podem também ler aqui a entrevista, ou então no seu sítio original: eternoprovisorio.squarespace.com!

Entrevista – Roberto Mendes

DateFriday, January 22, 2010 at 09:38AM

Os meus leitores brasileiros talvez ainda não o conheçam, mas nossos irmãos lusos certamente já o conhecem, e a partir de amanhã, 23 de janeiro, ele se tornará sem dúvida ainda mais conhecido: o criador do blog Correio do Fantástico lançará oficialmente, em grande estilo, na cidade do Porto, a revista DAGON, que tem tudo para ser a melhor publicação de literatura fantástica dos últimos tempos em língua portuguesa. Roberto já está reunindo um time de primeira, que inclui, entre outros, o premiado escritor português João Barreiros, o autor e editor israelense Nir Yaniv, o blogueiro e resenhista americano Larry Nolen e outras surpresas para o futuro próximo. O Eterno Provisório tem o prazer de entrevistar Robert Mendes.

1. Fale um pouco sobre você para os leitores deste blog. Quem é Roberto Mendes?

Sou um jovem com vinte e dois anos, licenciado em Direito e com uma enorme paixão pela ficção especulativa, em especial o género de ficção científica. Iniciei à dois anos o correiodofantastico.wordpress.com em conjunto com outros autores, sou editor de uma antologia de contos de literatura fantástica, a Vollüspa (lançamento em Março) e o criador da revista Dagon, cujo número zero (experimental) está disponível gratuitamente no blogue correio do fantástico. Tenho também colaborado com um site de literatura fantástica Galega, o NovaFantasia.com.
2. Como você vê o estado da ficção científica e fantasia produzida em língua portuguesa neste momento?

Não sou demasiado pessimista, mas também não tenho ilusões. Em Portugal, mercado com o qual estou mais familiarizado, temos excelentes escritores, quer de ficção científica, quer de fantasia. Destaco João Barreiros e Luís Filipe Silva no primeiro género e Pedro Ventura no segundo! Existem obras de referência como o “Terrarium” e o “Caçador de Brinquedos” mas parece falhar a conexão entre escritor e leitor. O mercado de leitores de literatura fantástica em Portugal tem sofrido sobretudo pela desunião que existe no seio do género, e pela falta de compreensão do género por parte dos leitores. Tradicionalmente, sendo estes géneros literários considerados marginais, existe a tendência de utilizar a união como forma de subsistência entre editores, autores e leitores. Mas em Portugal não me parece que isso aconteça. Neste momento o estado da literatura fantástica portuguesa não atravessa os melhores tempos. Não acompanhei os anos dourados da ficção científica em Portugal, mas parece-me que eram melhores tempos. Fazem falta bases de trabalho para os escritores, e material escrito para os leitores, faz falta educar os leitores sobre a verdadeira essência do género e afastar o estigma de que a literatura fantástica é para crianças. Faz falta a reunião entre leitores, autores e editores… enfim, será necessário mudar o paradigma, aumentar a produção e tentar chegar cada vez mais longe! Com esse objectivo surge a Dagon, para ajudar nesta longa caminhada!

Deixando os problemas e focando-nos nas virtudes do género na língua portuguesa: penso que temos visto nos últimos tempos um enorme fulgor na ficção especulativa Brasileira e que Portugal pode também agora começar a despertar algum interesse, até internacional!

Num tempo em que sinais de mudança nos chegam de fora, com Lavie Tidhar à frente de uma ideia de Ficção Especulativa Internacional, com cada vez maior produção não Anglo-Saxónica, é necessário agarrar oportunidades e tentar descobrir novos mundos, novos contos, novos artigos…

3. O que se escreve em português acrescenta algo à FC&F internacional?

Sou partidário da teoria de que para atingir realmente o mercado internacional, é necessário fazer o esforço de traduzir os nossos contos para Inglês e depois apostar na divulgação internacional. Tal como recentemente respondi ao Charles Tan, numa entrevista para o WorldSF, Portugal tem uma história única, um passado de glória assombrosa. Talvez a chave para que nos tornemos únicos seja reclamar esta história nos nossos textos: uma ideia seria um autor escrever um romance steampunk, sobre a época dos Descobrimentos! Quem melhor para escrever sobre essa época senão os descendentes desses míticos heróis que conquistaram os mares? Outra conversa será o escrever sem originalidade e não dar importância à herança que nos foi deixada, escrever sobre vampiros românticos à moda “twilight” ou histórias que tomam lugar em Nova Iorque, por exemplo, nunca fará com que a literatura fantástica portuguesa adquira um cunho único, que nos dissocie de tudo e todos e que marque uma verdadeira revolução no género! Teremos de ser exóticos o suficiente para ousar escrever histórias que apenas nós possamos fazer, ser originais e tomar atenção ao nosso passado: pode ser lá que reside a chave para o futuro!

4. Qual o papel de Brasil e Portugal no crescente movimento que vem sendo iniciado há algum tempo por vários autores, editores e entusiastas do gênero, como Lavie Tidhar e Cheryl Morgan. Fazemos diferença? Se não fazemos, podemos vir a fazer? De que modo?

Penso que neste momento o Brasil tem já algum peso neste movimento, especialmente por mérito seu, Fábio. Em Portugal também têm chegado ecos internacionais: o Nuno Fonseca foi convidado a escrever para o WorldSF, por exemplo!

Penso que os responsáveis por este movimento crescente têm tomado interesse pela literatura fantástica de língua portuguesa, e, desde que a Dagon passou a revista em formato papel, logo se associou a este movimento, colaborando com Lavie Tidhar para que alguns contos do Apex Book Of World SF possam ser publicados em português. No Correio do Fantástico e na Dagon temos apostado também em presenças internacionais como a do crítico Larry Nolen.

Em pouco tempo no WorldSF, lugar de excelência do Israelita Lavie Tidhar, saiu um artigo sobre a literatura fantástica em Portugal, já datado e desactualizado, mas que tinha estado votado ao esquecimento. Convidaram o Nuno e agora publicam uma entrevista sobre a Dagon! Penso que poderemos estar perante um novo começo para Portugal e Brasil!


5. Como a Dagon pretende se inserir nesse contexto? O que essa revista trará de novo e/ou diferente para a FC&F, tanto em forma quanto em conteúdo?

Bem, não direi diferente pois já foi aposta de outros editores como Rogério Ribeiro na Bang, mas apostaremos forte na divulgação da ficção especulativa, tanto de autores de língua portuguesa como de internacionais! Publicaremos, como já referi, em colaboração com o Lavie, alguns contos verdadeiramente internacionais, começando com o “Cinderers” de Nir Yaniv. No número dois será a vez do Chinês Han Song, entre outros! Não é uma revista exclusivamente literária: temos cinema e arte gráfica e teremos também música! Pretende ser um espaço de reflexão sobre o universo da arte fantástica, tentando chegar a leitores que ainda desconhecem o género e até criar novos fãs.

E depois, se tudo correr como esperado, apostaremos em reunir os melhores contos de autores portugueses na Dagon, traduzi-los para língua Inglesa, e publicar em antologias como a da Apex, entre outras. Queremos também um maior contacto com o Brasil, sendo o seu conto o primeiro de muitos contos brasileiros a marcar presença na Dagon!

A Dagon é, sobretudo, um espaço de união, por isso mesmo a festa de apresentação deste sábado vai muito além de uma simples apresentação. Num enorme esforço por parte da editora “edita-me” temos a possibilidade de anunciar uma verdadeira reunião dos entusiastas do género com os melhores escritores portugueses, que contará com diversas manifestações de arte fantástica com uma exposição de ilustrações e ainda com mesas redondas sobre a ficção científica internacional e o futuro da literatura fantástica em Portugal, acompanhados sempre pela música de um pianista, com vista sobre as margens do rio Douro no Clube Literário do Porto!

Carla Ribeiro escreve num fórum sobre livros:

Do meu ponto de vista algo suspeito, enquanto uma entre os autores, eu diria que o lançamento foi fantástico. Mas começando pelos aspectos objectivos: sala praticamente cheia, público participativo e a julgar pelas vezes que assinei o meu conto, diria que as vendas não devem ter corrido mal. Portanto, objectivamente, correu muito bem. Subjectivamente, e do meu ponto de vista estritamente pessoal… acho que foi um dos momentos mais fantásticos da minha vida, conheci pessoas espectaculares (algumas já conhecia por email, com outras foi mesmo o primeiro contacto) e, durante todo o evento, sentia-me basicamente nas nuvens. Portanto… do meu ponto de vista, correu ainda melhor! :worship: :worship:

Quanto a pontos de venda, para já sei que está disponível no site da Edita-me. Em livrarias, ainda não sei onde se encontra. Mas constou-me que vai haver um evento de apresentação em Lisboa. Nesse eu não vou estar, mas, para quem estiver interessado, quando tiver confirmação (e datas) eu aviso.

No site www.donagataempontodecruz.com podem ler a primeira reacção à festa de apresentação da revista Dagon!

Ainda hoje deixarei aqui a minha reacção, bem como um bom conjunto de fotografias e até vídeos para os que não conseguiram estar presentes. Para quem está em Lisboa, ou se pode deslocar a esta cidade facilmente, boas notícias! A Dagon contará também com uma sessão de apresentação em Lisboa, previsivelmente no dia 3 de Fevereiro, pelas 19 horas, em local a anunciar. Não está ainda confirmado, mas rapidamente o faremos!

Fica então esta que é a primeira de muitas (espero) reacções, visto que a sala esteve completamente cheia:

Ontem, no Clube Literário do Porto (mais uma vez em força), assisti à apresentação da revista “Dagon”

Trata-se de uma revista inteiramente dedicada ao fantástico nas suas várias vertentes. Composta por contos, entrevistas, artigos de opinião, crítica, imagem… bem, todo um mundo de fantasia que se estende à nossa frente.

Uma revista que se descreve a si própria como: “Sou… uma profusão de ideias e ideais, uma verdadeira explosão de arte fantástica!” e que pede ainda “Deixa-me entrar em ti, fundir-me contigo, até as minhas palavras se misturarem com as tuas ideias, lê-me, escreve-me, reinventa-me…”

E querem um conselho?

Façam-no!

Mas façam-no rápido pois a edição é propositadamente pequena e está a esgotar…

A apresentação propriamente dita foi antecedida por duas mesas redondas destinadas a debater a literatura fantástica e de ficção científica.

No primeiro painel constavam autores da chamada “literatura fantástica” propriamente dita, num concito mais restrito, que participaram, com os seus trabalhos, também na revista.

Foram abordados, entre outros, assuntos como a profissionalização do escritor, os nichos possíveis de mercado para este género literário, lusófono, os constrangimentos que surgem nesse sentido… Enfim, algo comum a outros géneros de escrita, julgo eu, mas de grande interesse. O público, que enchia a sala, foi de tal modo participativo que foi necessário haver moderação de tempos…

O segundo painel era dedicado à ficção científica (quanto a mim, também no âmbito do fantástico, mas que, como vim a perceber, contém subjacente um conceito bem diferente) e composto por dois dos mais importantes autores portugueses nesta área.

Se não refiro o nome de nenhum é apenas para espicaçar a curiosidade dos que aqui vierem. Busquem! Informem-se!

Foi muito interessante também e, um dos aspectos que o dominou, foi exactamente procurar fazer a destrinça entre a literatura fantástica e a ficção científica na qual os conceitos básicos da ciência não podem ser ignorados.

Para terminar apenas vos digo que foi uma tarde francamente profícua em aprendizagens, para mim, claro, que andava um tanto alheada em relação ao que se fazia em Portugal nestas áreas.

Mais uma vez tenho de cumprimentar a Edita-me pela coragem de ter dado corpo a um projecto que Roberto Mendes há muito sonhava ver concretizado.

Sempre coerente com o seu quase slogan de “fazer acontecer”!

Por fim, um reparo muito especial e com muito carinho, confesso, para as imagens de Miguel Ministro que só já não me surpreendem inteiramente pois, dele, já só espero o excelente.

Crítica: Os Jogos da Fome

PUBLICADO POR ANACNUNES NO BLOGUE FLORESTADELIVROS.BLOGSPOT.COM

“Os Jogos da Fome (Livro 1)” de Suzanne Collins (Editorial Presença)
Sugestão para leitura do mês (Janeiro) no grupo “The Next Best Book”.

Sinopse:
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome – um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.


Opinião:
Foi esta noite, quase às quatro da manhã, que terminei este livro. E isto porque o livro é tão viciante, mas tão viciante, que não conseguia pousá-lo até o terminar, mesmo sabendo que hoje seria segunda-feira. Já no sábado tinha ficado até às cinco da madrugada a digerir quase cem págnas, porque não conseguia parar de ler.
Dito isto, é bastante óbvio que gostei muito do livro. Confesso que a premissa não era a mais original, sendo impossível não compará-la com o Battle Royale, mas a partir de um certo momento, tornou–se tão empolgante que era impossível pousar o livro sem se ficar a pensar no que iria acontecer a seguir.
Não vou dizer que o fim foi totalmente inesperado, pois adivinhei-o com uma certa antecedência, mas mesmo assim não deixou de ser soberbo.
A crueldade da história, a corrupção e a manipulação que o governo exerce sobre o povo, onde uns esbanjam riqueza, outros morrem de fome, aliado a personagens fortes e uma protagonista que sabe o que quer e o que tem de fazer para o conseguir, mas também é muito humana, fazem deste livro uma delícia que recomendo a toda a gente.
O facto de nunca termos a certeza se uma ou outra personagem é amiga ou inimiga, de sabermos quando vai ser o próximo ataque, tudo isso aliado ao carácter extraordinário, e ainda assim, cheio de falhas, da Katniss, fez com que a adorasse, sem nunca esquecer que estavamos a falar de uma adolescente, que agia como tal, e que por isso justificava alguns dos seus momentos menos brilhantes.
O Peeta (nome muito estranho e que vai criar sérias confusões quando o filme for lançado em Portugal)  também foi uma personagem fabulosa, pois a Katniss conseguiu transmitir muito bem as dúvidas e receios que tinha em relação a ele, fazendo com que duvidassemos dele até ao fim, mesmo depois de tudo o que ele fez por ela.
Os pontos “menos bons” do livro foram muito poucos e passíveis de serem ignorados, já que advém da idade de algumas personagens, o que faz com que certas coisas sejam irritantes, mas comprrensíveis.

Em suma, foi um livro excelente, que não é nenhuma obra-rima, mas que entretém, e muito. Um excelente livro que dá gosto, que nos deixa intrigados e na expectativa. Só espero que no próximo livro explorem mais o Capitólio, os rebeldes, e os relacionamentos da Katniss, que começaram a aquecer no final.
Recomendado!

Os meus parabéns ao Flávio e a todos os responsáveis pela Antagonista!

Fica a “press release”:

No âmbito da Colecção Мир, a Antagonista Editora concretizou a assinatura de um contrato de edição com o veterano autor americano Robert Silverberg, nome já certamente familiar entre os leitores portugueses de ficção científica.

Após uma curta negociação o autor manifestou-se deliciado por voltar a ser publicado em Portugal, país onde já conta com 14 (catorze) obras publicadas, e pelo menos duas já traduzidas mas ainda sem editora, três delas escritas em parceria com Isaac Asimov.

Silverberg viu a sua primeira obra ser publicada em 1955 e, aquando da negociação do contrato nos últimos dias de 2009, desabafou-nos “Uma vez que sou a pessoa que outrora escreveu histórias que decorriam no longínquo mundo de 1975, podem imaginar como me devo sentir agora que aguardo a chegada de 2010!”

Para os fãs portugueses do autor que queiram ler algo da autoria do mesmo antes do lançamento do livro, prevemos que para antes do Verão, podem sempre consultar o portal da Asimov’s Science Fiction Magazine, da qual é um dos colaboradores residentes e onde disponibilizam alguns dos seus textos de não-ficção.

Robert Silverberg foi diversas vezes galardoado com os prémios Hugo (três vezes premiado) e Nébula (quatro vezes premiado). Como editores sentimos-nos orgulhosos de o ter a bordo da nossa Мир, como fãs estamos verdadeiramente entusiasmados.

Asimov

Um texto republicado do site brasileiro oficina literária:

ASIMOV: FICCIONISTA E VISIONÁRIO DO FUTURO

Quarta-feira | 20 | Janeiro | 2010

Oficina Literária

Texto de:

Paulo

Ele escreveu 470 livros. Seu conto O cair da noite, escrito em 1941, foi considerado pela Associação dos Escritores de Ficção Científica da América como a melhor história de todos os tempos. E a trilogia Fundação, do período 1951/1953, foi premiada com um Hugo, a mais cobiçada homenagem prestada pela Convenção Mundial de Ficção Científica, como a melhor série já escrita. Ao todo, foram oito prêmios de alto significado como reconhecimento público. Mas resumir a importância de Asimov a esses feitos seria subestimá-lo, pois ele não foi apenas ficcionista. Foi também um pioneiro na popularização dos conhecimentos e um visionário, e como tal influenciou o próprio desenvolvimento da ciência.

A melhor prova disso foram suas histórias sobre robôs, justamente aquelas que lhe conquistaram a popularidade, no início dos anos 40. Antes dele, a ficção científica era influenciada pelo chamado complexo de Frankenstein, pois os robôs geralmente eram pintados como simples monstros, que acabavam se voltando contra seus criadores. Asimov rompeu com o mito ao descrever robôs que também eram dóceis, inteligentes e dignos. Elaborou, além disso, as três leis da robótica: um robô não pode ferir uma pessoa, nem, por omissão, permitir que ela sofra; deve obedecer aos humanos, exceto quando houver conflito com a primeira lei; deve proteger sua própria existência, ressalvadas as regras precedentes. Esses conceitos tiveram o efeito de um clarão sobre as possibilidades do futuro, lembra um dos pais da inteligência artificial, o americano Marvin Minsky, hoje professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

“A primeira vez que tomei contato com as idéias de Isaac foi há cinqüenta anos, quando estava entrando na adolescência. As histórias sobre espaço e tempo me fascinaram, mas sua concepção sobre robôs me impressionou demais.” Depois disso, diz o cientista, nunca mais parou de pensar sobre como a mente trabalha. Como os robôs iriam pensar? Como construir os robôs com senso comum, intuição, consciência e emoção? Como o cérebro faz essas coisas? Para Asimov, em contraposição, foi gratificante a velocidade com que tais idéias se concretizaram, pois não acreditava que os robôs habitariam a Terra em seu tempo de vida. “Mas eles estão aí”, escreveu no segundo volume de sua autobiografia, publicado em 1980: In Joy Still Felt (Ainda com alegria, em tradução livre). O primeiro volume, In Memory Yet Green (Na memória ainda fresca) havia sido lançado um ano antes.

São robôs industriais, criados para realizar tarefas específicas, e não criaturas sensíveis. Mas já representam máquinas complexas e têm, inclusive, salvaguardas embutidas — um eco das leis de Asimov. “Eu fui o primeiro a retratar robôs assim”, pleiteia ele com toda a justiça. Apesar da empolgação que sentia ao ver o avanço da robótica, Asimov sempre recusou os convites de Minsky para conhecer os robôs em operação. “Eu lia avidamente tudo sobre Marvin e seus robôs, mas não fazia questão de vê-los funcionando. Seria como entrar em contato com o material da ficção. Talvez eu não goste da invasão do mundo real na minha ficção científica.”

Publicados originalmente na revista Astounding Science Fiction, editada por John Campbell, os contos sobre robôs foram reunidos, em 1951, no segundo livro de Asimov, “Eu, Robô”. Campbell era conhecido por sua habilidade em descobrir e incentivar novos talentos, e muitas das histórias de Asimov, antes de irem para o papel, foram debatidas longamente com ele. As três leis da robótica surgiram numa dessas conversas e Asimov atribuiu sua criação a Campbell, que se tornou seu amigo. Fora da ficção científica, Asimov rompeu com o mito de Frankenstein em outro sentido — descrevendo os cientistas como pessoas comuns, e não como magos, muitas vezes esquisitos.

O próprio Dr. Frankenstein criado por Mary Shelley em 1818, parecia mais um alquimista do que um pesquisador moderno. Em seus livros de divulgação, Asimov escreveu sobre quase todas as áreas do conhecimento humano. Explicou o que é um buraco negro, os corpos mais densos que podem existir; falou sobre o valor exato de pi, a razão entre a circunferência e o diâmetro; ensinou a nomenclatura da Química orgânica; e discorreu até mesmo sobre o número de batimentos cardíacos de um gato ao longo da vida. Se não conhecia um assunto, comprava alguns livros e não parava de ler enquanto não pudesse escrever a respeito.

“Para todos nós ele era um monumento”, elogia o prêmio Nobel de Física de 1988 e professor da Universidade de Chicago, Leon Lederman. “Muitos cientistas americanos foram levados para a ciência por causa dos livros de Asimov. Ele era notável pela sua capacidade de popularizar e entreter.” Para o astrônomo Carl Sagan, outro monstro sagrado da divulgação científica, Asimov era motivado por um forte impulso democrático. “Ele dizia que a ciência era muito importante para ficar na mão dos cientistas”, escreveu Sagan em um artigo publicado na revista inglesa Nature logo após a morte de Asimov.

Os dois eram amigos desde o início dos anos 60, quando o astrônomo, leitor ávido das aventuras intergaláticas narradas por Asimov, deu início a uma correspondência que se tornaria freqüente. Com sua típica falta de modéstia, Asimov costumava dizer que em toda a vida só encontrara dois homens mais inteligentes que ele: Carl Sagan e Marvin Minsky. E completava: “Não quer dizer que sejam mais talentosos que eu”. Menino de memória fotográfica, ele aprendeu a ler sozinho aos 5 anos, entrou na faculdade aos 15, e publicou sua primeira história aos 18.

Bem longe do local em que passaria a infância, ele havia nascido em Petrovich, a 200 quilômetros de Moscou, filho de Judah e Anna Rachel Asimov. Comemorava seu aniversário em 20 de janeiro, mas pode ter nascido em qualquer dia entre 4 de outubro de 1919 e 2 de janeiro de 1920, devido à mudança do calendário na Rússia. Aos três anos, emigrou com os pais para os Estados Unidos e se instalou na área judaica do Brooklyn. Aí, seu pai adquiriu a primeira da série de mercearias que teria.

Foi na banca de jornais e revistas, ao fundo da loja, que ele entrou em contato com as revistas de ficção científica. Lia as histórias com cuidado para não amassar as revistas, que seriam vendidas poste-riormente. A infância não foi fácil. Durante todos os dias, até mudar-se de No-va York em 1942, Asimov ajudava o pai, e suas obrigações na loja o impediam de fazer amigos. Solitário, passava a maior parte do tempo lendo e escrevendo. Anos mais tarde, ele admitiu que isso ajudou a torná-lo um escritor compulsivo, pois a loja ficava aberta dezesseis horas por dia, sete dias por semana.

“De alguma forma, eu assimilei esse horário como normal, e me orgulho de ter um despertador que nunca uso, apesar de acordar sempre às 6 horas. Eu continuo mostrando pro meu pai que não sou um vagabundo.” E não era mesmo. Acostumado aos apertos, ele passou metade da vida procurando uma garantia de estabilidade, mesmo que isso representasse muito trabalho e pouco tempo junto à máquina de escrever. O fato é que até se tornar escritor em tempo integral, em 1958, Asimov não acreditava que poderia viver apenas da literatura. Por causa disso, em 1942, ele suspendeu a tese de doutorado em Bioquímica na Universidade Columbia e aceitou um cargo de pesquisador na Marinha, no Estado da Filadélfia.

Havia se formado em Química três anos antes, e aos 21 anos concluíra o mestrado. Naquela época, ainda se debatia com o fracasso em entrar para a faculdade de Medicina e satisfazer o desejo da família. Esse complexo só iria desaparecer em 1950, quando pôde presentear o pai com seu primeiro livro, Pebble in the Sky (Cavernas de Marte em português). A década anterior havia sido conturbada. No início de dezembro de 1941, os japoneses atacaram a base americana de Pearl Harbour, no Pacífico, e o Congresso aprovou a declaração de guerra contra o Japão, Alemanha e Itália.

Assim, ao aceitar o trabalho de pesquisador na Marinha — onde trabalhou com Robert Heinlein e Sprague de Camp, já então dois grandes grandes nomes da ficção científica —, Asimov afastou temporariamente a ameaça de convocação. Também garantiu um salário providencial: tinha acabado de conhecer Gertrude Blugerman, com quem se casaria após cinco meses de namoro. Em 1946, finalmente, conseguiu dar baixa, retomar o estudo em Columbia e concluir o doutorado em Bioquímica. Sua primeira pesquisa foi a busca de uma vacina para a malária, que logo depois abandonou, com um desempenho apenas modesto, e aceitou o cargo de professor e pesquisador na Universitade de Boston.

Mas, então, seu interesse pela ciência tomaria um impulso avassalador com o sucesso soviético no lançamento do satélite Sputnik, em 1957. Os americanos reagiram de pronto com a criação de uma agência espacial, a NASA, e a ficção científica ganhou o coração de milhões de pessoas. Além disso, Asimov havia escrito um artigo sobre Genética e as raças humanas, e ganhou gosto pela divulgação da ciência. Como resultado afastou-se da pesquisa e aumentou a produção literária. Já não precisava correr atrás dos editores, que o procuravam espontaneamente pedindo histórias e artigos. Nada mais natural que acelerasse o passo na literatura, terminando a década de 50 com 32 livros publicados. Na década seguinte, foram 70 livros; nos anos 70, 109; e nos últimos doze anos de vida, 259.

Para sustentar esse ritmo, Asimov jamais tirava férias sem levar consigo a máquina de escrever portátil, e enquanto todos se divertiam, ficava trabalhando. Na maioria das vezes, a mulher Gertrude e os filhos, David, de 1951, e Robyn, quatro anos mais nova, viajavam sozinhos. Esses desencontros só terminaram com a separação e com o retorno de Asimov a Nova York, em 1970. É verdade que a ausência do escritor nas viagens não se devia apenas ao trabalho: embora fosse idealizador de naves espaciais e impérios galácticos, Asimov era acrófobo — passava mal só de pensar em entrar num avião. Ele só voou uma vez na vida: quando estava na Marinha e uma recusa significaria corte marcial.

Outra esquisitice era uma espécie de paranóia que o fazia pular da cama para ver se a porta do apartamento estava trancada. Se sua segunda mulher, a psiquiatra e escritora Janet Jeppson, demorava a chegar em casa, logo pensava que ela tinha caído num buraco. Amigos desde os anos 50, casaram-se em 1973, quando a fama e a influência de Asimov chegou ao auge.

Nas muitas palestras que era convidado a fazer, ele passou a disseminar uma inestimável confiança no conhecimento e na democracia. Ateu, recusava crenças de qualquer tipo — “duendes, diabos e bruxas” —, e dizia que a única coisa que merecia ser chamada de Deus era a racionalidade. “Houve um tempo que o mundo nos parecia repleto de inteligências superiores à nossa. Agora, que sabemos tanto a respeito do Universo, podemos nos concentrar nos males reais.” O homem que foi ao delírio quando o russo Yuri Gagárin subiu pela primeira vez ao céu, acreditava que no espaço se encontraria solução para boa parte dos problemas terrestres. Imaginava que a colonização da Lua e de Marte seria uma válvula para a superpopulação. E propunha colocar captadores de energia solar em órbita co-mo saída para se obter energia limpa.

Pessoalmente, sua realização foi ter escrito livros, como ele mesmo declarou enfaticamente numa conversa em quesua primeira mulher lhe perguntou como se sentiria se, depois de gastar tanto tempo escrevendo, percebesse que perdera toda a essência da vida. Ele respondeu: “Para mim a essência da vida é escrever. Se eu publicar 100 livros e depois morrer minhas últimas palavras vão ser: só 100!” Na verdade, quando a morte sobreveio, em 6 de abril de 1992, por insuficiência renal, o número havia chegado a 468 e ainda estava crescendo.
>> OFICINA LITERÁRIA – por Paulo

Está confirmada a presença de João Barreiros como orador na mesa redonda a iniciar às 17:00 horas no Clube Literário do Porto, dia 23 de Janeiro, evento incluído na apresentação da revista Dagon!

O programa será então o seguinte:

16:30 : Inauguração da exposição de arte fantástica na Galeria

17:00: Mesa Redonda na Galeria da Cave do Clube Literário Do Porto com o tema “Ficção Científica Internacional, ilusão ou realidade?”. Oradores: Luís Filipe Silva e João Barreiros

17:45: Mesa Redonda na Galeria da Cave, com o tema “Literatura Fantástica Portuguesa, que Futuro?”. Oradores: Rogério Ribeiro e Pedro Ventura.

18:20: Pequeno Intervalo.

18:30: Apresentação da revista Dagon na Galeria com Roberto Mendes e Carlos Lopes.

Fica de novo a morada do Clube literário do Porto aqui!

Outras novidades vão surgindo , como a nova colecção de literatura fantástica da editora edita-me, a ser desvendada na apresentação.

Brevemente estarão disponíveis duas entrevistas sobre a Dagon. Numa delas sou entrevistado pelo escritor Brasileiro Fábio Fernandes, para os seus sites na web. Noutra sou entrevistado pelo Filipino Charles Tan, que tem conduzido muitas entrevistas nos últimos anos para o site dos Nebula Awards. A ser publicada no WorldSf.wordpress.com, blogue do editor Israelita Lavie Tidhar.

Espero ver-vos a todos na apresentação:)

Roberto Mendes

“Mais que uma apresentação, uma reunião em volta das artes no fantástico”

Pianista Profissional já confirmado!!!


Quando imaginei como poderia ser o momento da apresentação da revista, logo me surgiram algumas ideias. Não queria apenas pegar num exemplar e apregoar o quanto ele tinha qualidade, o quanto era bonito, enfim…tentar vender o produto. Não, isso não queria mesmo! O que realmente sonhava era com um momento de união entre os leitores do género, os autores da revista e os demais que marcassem presença. Mostrar que no fantástico existem artes e artistas excepcionais, que também vão muito além da escrita. Não ambicionava o silêncio, pois silencioso demais tem estado o fantástico português. Surgiu assim a ambição de apresentar os trabalhos de quatro autores portugueses nas áreas da ilustração, nas galerias do Clube Literário do Porto, local de excelência para estas ocasiões. Surgiu também a “necessidade” de discutir alguns temas em mesas redondas, deixando a conversa fluir entre oradores e todos os presentes. Originalidade? Não! Influências óbvias do trabalho desenvolvido antes, principalmente pelo Rogério Ribeiro. Se conseguir trazer tanta união à volta deste género como o Rogério trouxe, nem que seja por apenas por umas horas, o objectivo máximo estará conseguido. E por último a música, com a presença de um pianista profissional.

A revista consiste num desafio, mais do que numa afirmação. Um desafio à leitura, à descoberta de novos autores, novos contos, novos artigos, novas imagens e à redescoberta do melhor que se tem feito em Portugal no género… Novamente, se esta revista se conseguir aproximar dos trabalhos feitos por outros editores (tal como me foi recentemente relembrado, com toda a justiça, no fórum bbde) como o Rogério (Bang), o Ricardo (Nova) e o Tiago Gama (Phantastes) então será para mim um sucesso. Não arrogo para qualquer tipo de louro, não quero fama, não anseio por reconhecimento. Outros fizeram antes de mim um trabalho colossal. Agora dou o meu singelo contributo, para o qual sem a ajuda de todos os envolvidos não seria possível de realizar.

Quanto à substância da revista, posso afirmar que conta com autores de enorme qualidade, que fizeram um excelente trabalho. Os leitores poderão ler quatro contos, quatro artigos, uma entrevista, um pequeno texto em prosa poética e ainda conhecer o trabalho do ilustrador Miguel Ministro, ao qual pertence a imagem de capa, inspirada no conto “Dormindo com o Inimigo” de Luís Filipe Silva. Poderão ler o que pretende ser uma homenagem a João Barreiros, deliciar-se com autores portugueses, como Carla Ribeiro, Luis Canau e Nuno Fonseca e estrangeiros como Larry Nolen e Nir Yaniv. Poderão por último gostar ou não gostar e deverão criticar!

A edição assenta em três bases: dar a conhecer os melhores trabalhos dos autores portugueses (conhecidos ou desconhecidos), dar a conhecer autores internacionais e relembrar trabalhos históricos. Também não é algo original; ainda recentemente me foram apontadas as seguintes publicações: “Bang” 0, 1 e 2: Lavie Tidhar, Frank Roger, Sarah Hoyt, entre outros; “Nova”: Csilla Kleinheincz, Santiago Eximeno; e ainda outros na “Phantastes”.
Mas ainda que não sendo original, é uma aposta forte, que poderá trazer frutos:)

Não poderia ter ambicionado um local melhor que o Clube Literário do Porto, que conta com excelentes instalações e com uma filosofia que em tudo se assemelha ao implementado na revista.

Será uma revista de publicação trimestral, com o total de quatro números por ano. Estará disponível em algumas livrarias nas cidades de Lisboa e Porto e poderá também ser adquirida através de uma assinatura anual.

É sobretudo uma aposta na qualidade. Com um trabalho impecável da editora Edita-me, que  começa desta forma a sua aposta no mercado de literatura fantástica e que em tudo se afastou de um trabalho de “vanity press”.

Fica o programa, que pode ainda ser sujeito a algumas mudanças por motivos de força maior:

Clube Literário do Porto:

16:30: Inauguração da exposição de arte fantástica nas galerias.

17:00: Cave: Mesa redonda com o tema “Ficção Científica Internacional, ilusão ou realidade?”. Oradores: Luís Filipe Silva e orador a confirmar;

17:45: Cave: Mesa redonda com o tema “Literatura Fantástica Portuguesa, que futuro?”. Oradores: Rogério Ribeiro e Pedro Ventura.

18:30: Galeria: Apresentação da revista “Dagon” com música ao vivo (a confirmar).

Resta-me esperar pelas reacções e agradecer à minha namorada pelo enorme apoio e pela ajuda, ao Carlos Lopes da Edita-me, aos autores que submeteram os seus trabalhos, aos oradores que acederam a estar presentes nas mesas redondas, aos artistas que disponibilizaram as suas obras e a todos os leitores e interessados no fantástico.

Morada do Clube Literário: aqui

Roberto Bilro Mendes

Avatar

O cinema, normalmente, não é comentado no Correio, mas existem excepções que podem ser criadas. E eu acredito veementemente que o filme AVATAR merece essa excepção.                             

Gostaria de dizer, para começar, que se tratou que de um filme que me arrebatou logo pela apresentação. Quando vi o Trailler no grande ecrã, tudo me puxou para o ir ver: as imagens, as cores, os seres, o princípio…

 James Cameron esteve em grande!

 Neste filme temos tudo aquilo de que vive o fantástico e o FC. Temos uma história passada num futuro distante – Agosto de 2150 – um mundo alienígena com a sua fauna e botânica, um povo diferente com a sua História, lendas, mitos, regras, religiosidade e uma língua própria, um herói improvável, o bem contra o mal e uma história de amor.

 Jack, um fuzileiro condenado a passar a vida numa cadeira de rodas devido a ferimentos graves que tivera em combate, recebe uma proposta inesperada após a morte inusitada do seu irmão, um cientista.

 É assim que Jack se vê a bordo de uma nave espacial, num voo de vários meses em crio-sono, para o Planeta Pandora.

O Planeta Pandora é detentor de uma riqueza incalculável. Aquele mundo tem uma botânica e fauna única, e tem também um minério valiosíssimo.

As forças militares e científicas estão lá a soldo de um consórcio que pretende o minério. Os primeiros por segurança, pois o planeta, em si, é hostil, os segundos para tentarem perceber como é o aquele mundo funciona e como é que os seres humanóides, azuis, e muito mais fortes que os homens podem ser convencidos a abandonar a Hometree, a sua cidade, que está sobre o maior jazigo de minério.

 Logo à chegada se percebe a clivagem principal: os militares querem avançar pela força das armas, os cientistas preferem uma via mais pacífica e querem acima de tudo preservar aquele mundo da gula humana.

 É aqui que entram os Avatar. Os Avatar são seres criados pelo Homem, através de uma mistura entre o genoma dos Na’vi, os naturais daquele mundo, e o ser humano que o vai incorporar. Jack foi escolhido pelo facto do genoma de um dos Avatar estar misturado com o do seu falecido irmão. O Avatar é uma ferramenta de proximidade com os Na’vi.

 Uma das cenas mais marcantes, na minha humilde perspectiva, dá-se quando Jack se vê no seu Avatar, cheio de força, podendo correr, saltar… A alegria e a reacção de Jakesully – o Avatar – são genuínas, seria assim que alguém que vivera demasiado tempo privado da liberdade de andar e correr reagiria!

 Não vou dizer mais nada sobre o enredo, a não ser que é uma das melhores ascensões a herói que já vi no cinema

 O filme é 3D, a fotografia fantástica, o enredo envolvente, os personagens credíveis e a força de Pandora é sentida.

 Corram até um cinema perto vós.

Dagon…

No dia 23 no Porto, muito mais que uma simples apresentação: programa a anunciar muito em breve!!!

Roberto Mendes

O Dom

Terminei um ano e comecei outro com o mesmo livro na cabeceira. Refiro-me ao livro O Dom, o primeiro volume das Crónicas de Pellinor, escrito pela australiana Alison Croggon.
A história começa numa aldeia isolada. Lá mora Maerad, uma jovem escrava que perdeu os pais na guerra de Pellinor. Vive uma rotina de trabalho, e só se sente livre quando toca a velha harpa da sua mãe. Inesperadamente, é resgatada pelo grande bardo Cadvan e descobre o seu Dom, até então adormecido. É através dos olhos de Maerad, da sua aprendizagem e da sua adaptação ao mundo livre, que o leitor conhece o universo que dá vida a esta saga.
Trata-se de uma história de fantasia cujo mote é a existência de pessoas com poderes mágicos: os bardos. A designação deixa antever a importância da música na concepção das capacidades mágicas destes homens e mulheres que são mais do que simples feiticeiros. Na verdade, a autora abordou o tema de uma forma bastante interessante, ao descrever a magia como uma característica quase ubíqua, usada não só para encantamentos mas também como auxiliar às mais diversas actividades. Mas para compreender este pormenor é preciso conhecer a sociedade que nos é descrita.
Em Edil-Amarandh, o Povo das Estrelas é visto como parte essencial da sociedade. As suas escolas são centros científicos e culturais onde os valores e o bem-estar são respeitados, pelos menos em tempos pacíficos. A formação dos bardos leva-os a trabalhar para manter o Equilíbrio, lutando pelo bem comum e desenvolvimento.
Esta sociedade foi bastante trabalhada pela autora, designadamente nos variados apêndices do livro. Alison Croggon tentou, exaustivamente e, a meu ver, até exageradamente, convencer os leitores do que a civilização que descreve existiu outrora. E se por um lado a técnica aumenta o entusiasmo e o fascínio, por outro recorda outras sagas do género.
No seu site, a autora não esconde a influência dos universos criados por autores como Tolkien e Ursula Le Guin, uma informação, infelizmente, quase desnecessária, por serem várias as analogias. Este é, precisamente, um dos pontos negativos da história: as bases civilizacionais, a mitologia, alguns aspectos do enredo e até a geografia pecam pela semelhança com outras ficções, com especial destaque para o universo tolkiano. Trata-se de uma similitude para lá do comum e por isso não a posso deixar de referir.
Para além deste aspecto, é de lamentar o facto de este ser um livro meramente introdutório. Infelizmente, tal parece-me cada vez mais comum: nesta obra, de cerca de 200 páginas, passa-se muito pouco. Há aventuras e intrigas, mas não as suficientes para justificarem a existência de um livro isolado. O livro só tem sentido como precursor dos restantes 3 volumes, característica corrente nas sagas de fantasia mas que, não posso deixar de dizer, me entristece e enfada.
Mas, voltando a O Dom, quero deixar claro que gostei do que li. Embora os princípios básicos da magia não sejam originais, o modo como estes se imiscuíam com a sociedade e com o enredo pareceu-me muito criativo e agradou-me bastante. Para além disso, vale a pena referir que a história está bem escrita (pese embora eu duvide um pouco das construções frásicas da tradução) e a evolução do enredo até é cativante. As descrições das paisagens e das cidades merecem menção, constituindo um dos elementos mais positivos da obra. Há episódios que me pareceram efectivamente desnecessários, e elementos que gostaria muito de ter visto desenvolvidos, mas, feitas as contas, é uma história (ou principio de história) atractiva e um bom exercício para os habituais leitores do género.
Sem dúvida, quero continuar acompanhar o percurso da protagonista. O livro original, The Gift, tem mais de 500 páginas e divide-se em quatro partes, sendo que apenas as duas primeiras estão presentes nesta edição. Resta-me esperar pela tradução das outras duas partes e dos três livros seguintes, The Riddle, The Crow e The Singing.
Tradução: Irene Daun e Lorena/Nunu Daun e Lorena;
Edição: Bertrand Editora, 2009

A Antagonista Editora, por intermédio da Colecção Mir, torna público o concurso para a antologia Pesadelos de uma Noite de Natal, antologia que tentará cativar o interesse dos autores portugueses de terror fantástico (entende-se por terror fantástico os enredos que incluam elementos sobrenaturais, excluem-se do género os enredos de assassinos em série, psicopatas e terror psicológico).
Ao contrário das restantes obras da colecção, que abrangem não só o território nacional mas todo o mundo lusófono, esta antologia destina-se única e exclusivamente a residentes em Portugal.

O regulamento é extremamente simples:
Extensão dos contos: Os contos terão como limite máximo as 10.000 palavras.
Formato do manuscrito: O manuscrito deverá ser apresentado com as fontes Calibri ou Times New Roman, tamanho 11, com espaçamento simples em ficheiro .pdf ou compatível com .doc (não aceitamos manuscritos em .docx).
Espaço-tempo obrigatório do conto: O enredo do conto deve desenrolar-se, obrigatoriamente, na noite de 24 de Dezembro (véspera de Natal) numa localidade existente no território português.
Outros elementos: Favoreceremos os autores que optarem por incluir elementos pouco usuais do fantástico português: zombies, lobisomens, fantasmas, monstros, demónios, etc. Desencorajamos o envio de contos de vampiros, por favor. Não os excluímos, mas damos preferência aos contos que contenham outra temática.
Data limite de envio: Aceitamos manuscritos até ao dia 1 (um) de Outubro de 2010, a data refere-se ao carimbo dos correios, os autores que optarem por enviar o manuscrito por correio devem ter em atenção que o podem enviar até ao dia 1 de Outubro, inclusive, fazendo prova de envio o carimbo da estação dos CTT.
Dados dos autores: Deverão incluir no final do conto o nome completo, e-mail e endereço de contacto postal. Este ponto é extremamente importante, evite que o seu conto fique “órfão” de autor no limbo do nosso escritório.
Endereço de envio: antagonistaeditora@gmail.com

Ano 2009 – Um olhar!

Mais um ano que voa sem deixar grandes oportunidades para nos despedirmos. Uma sucessão de dias que não voltam mais, e dos quais sentirei saudades. Restam as memórias, espalhadas em cento e cinquenta posts neste cantinho de leitores e para leitores. É um prazer enorme perceber que a cada ano que passa, mais leitores se nos juntam nesta caminhada pela arte fantástica, seja ela na forma de cinema, livros, música ou pintura. Muitos autores se nos juntaram em 2009 : Rita Comércio (sem a qual nenhum dos meus projectos estariam ainda terminados), Luís Filipe Silva, David Soares, Luis Canau, Paulo Fonseca e o grande Larry Nolen, o nosso primeiro convidado internacional. A todos o meu muito obrigado!

A Dagon deu os primeiros passos, com o lançamento do número zero. Um lançamento muito esperado que deu lugar ao que sempre acontece: alguns gostaram, outros não! Mas as críticas foram, a maior parte das vezes, muito construtivas, o que permitiu uma maior e melhor aprendizagem, bem como reunir a experiência necessária para uma diferente aventura, desta feita nas mágicas páginas de papel, e contando com uma presença verdadeiramente internacional, com o apoio de Lavie Tidar, editor do “Apex Book of World SF”.

O número um está completo, sendo esperado o seu lançamento no final do mês de Janeiro, no Clube Literário do Porto, inserido num espectacular evento que contará com uma galeria repleta da melhor arte fantástica portuguesa, com um pianista a acompanhar a festa de lançamento, que se sucede a algumas mesas redondas no auditório. No fim, um jantar de convívio. Mais pormenores serão adiantados nos próximos dias.

A Vollüspa foi finalmente terminada e contratada com uma pequena editora do Porto. Uma colectânea com autores importantes como Luís Filipe Silva, Rogério Ribeiro, Pedro Ventura, entre outros e também com autores até aqui não publicados com Nuno Gonçalo Poças. Mais surpresas no line up de autores nos próximos dias. Com lançamento esperado para Março de 2010.

Quanto ao Correio do Fantástico: alguns tempos de menor actividade contra outros de actividade fervilhante nortearam os meses que foram passando. Sempre tentando informar, criticar construtivamente o que se apresentou e também inovar nos conteúdos. O objectivo: premiar os leitores que têm sido espectaculares, comentando sempre que possível e também ajudando com algum conteúdo.

Foi um 2009 com muitos projectos, a acrescentar à minha vida real em que o trabalho não vai deixando muito tempo livre. Será também sem dúvida um 2010 muito bom, a começar com os lançamentos da Dagon e da Vollüspa, e também com o despontar do meu novo projecto, o mais ambicioso até hoje, mas que por agora ainda permanece no segredo dos Deuses:)

Aqui ficam alguns dos livros, relacionados com a literatura fantástica, que mais me impressionaram este ano:

O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde Um romance Gótico , envolvido num enorme escândalo na época Vitoriana, por aqueles que consideravam o romance imoral, uma cópia dos maus costumes adoptados pelo seu autor. Com uma crítica social bem patente, Oscar Wilde guia-nos através de uma história muito interessante, em que a paixão pela beleza se confunde com a paixão pela própria vida. Mas os pecados não passam impunes, o belo retrato pintado por Basil Hallward assume verdadeiro papel de personagem. Basil, fascinado pelo perturbador Dorian que, por sua vez, se deixa envolver pelo irónico Lord Henry Wotton pinta um retrato belíssimo. Numa atitude de desespero, Dorian promete a sua alma em troca da juventude eterna. A sua alma humana é então transportada para o retrato, que envelhece enquanto Dorian conserva os traços perfeitos que Basil inicialmente pintou. A imoralidade versus moralidade num verdadeiro clássico de ambiência ímpar. Como o próprio autor defende no prefácio : “Não existem livros morais ou imorais. Os livros são mal ou bem escritos. É tudo”.

O FIM DA ETERNIDADE :Asimov é um génio da ficção científica e o “Fim da Eternidade”, a par da tetralogia da “Fundação”, é um dos seus melhores trabalhos. Uma fantástica viagem no tempo “abaixo-quando” e “acima-quando”, em que Harlan, um técnico eterno, tem o poder de alterar a história da humanidade, efectuando mudanças de realidade através de cálculos precisos fornecidos por um super computador e através da observação das diversas realidades. Através da intervenção dos Eternos nos diferentes séculos, retirando elementos como simples livros ou enormes descobertas científicas, a realidade muda, sem que as diferentes sociedades o percebam. Andrew Harlan é um técnico muito especial, pois foi escolhido para uma experiência que o leva a apaixonar-se. Qual seria a nossa atitude se descobríssemos que nossa individualidade como seres humanos poderia ser totalmente anulada por um sistema social superior, denominados os Eternos? E qual a atitude sensata e válida a ser tomada se tivéssemos que escolher entre a nossa existência e a nossa paixão, e a continuidade do mundo de que dependemos e ao qual pertencemos? Uma obra prima.

Brinca Comigo – Vários :Uma das melhores antologias de contos de autores portugueses. Alguns dos melhores representantes da literatura fantástica portuguesa escrevem sobre algo que nos é comum a todos: a infância. Mas aqui.

Great Ghost Stories – vários Bounty Books: Uma excelente colectânea de contos, invocando os temas do sobrenatural. Contados como se nos sentássemos à roda de uma fogueira, numa noite de lua cheia e ouvíssemos um ancião com a sua voz surreal descrever as mais fantásticas histórias de fantasmas. Os contos que mais me convenceram: Lord Dunsany – “A Large Diamond”; J.B. Priestley – “The Demon King” e Alexander Pushkin “The Queen of Spades”.

Edgar Allen Poe – Contos Policiais: Um mestre, criador do romance policial. Um Must read para todos os fãs do género.

Os Jogos da Fome – Suzanne Collins :Uma obra que me surpreendeu pela positiva. É inspirada profundamente em “Battle Royale”, de Koushum Takami, uma história que tem lugar num Japão distópico, com um governo socialista e no qual um conjunto de alunos é escolhido para participar no “programa”, onde basicamente todos têm de lutar até à morte, podendo apenas sobreviver um. Também nos Jogos da Fome o enredo tem lugar numa sociedade distópica: “num futuro pós-apocalíptico surge, das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa doze Distritos com uma mão de ferro. Uma anterior revolta fracassada dos Distritos contra o Capitol resultou num acordo de rendição em que os distritos se comprometem a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome – um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é «matar ou morrer» ”.Com uma escrita forte mas não demasiado, Suzanne Collins conquista o universo leitor com uma história repleta de sentimentalismo, de acção e também de alguma violência, embora neste aspecto fique muito aquém de Batlle Royale. Alicerçada num pano de fundo de ficção científica, é uma obra impressionante, que nos deixa com água na boca para ler “Catching Fire”, o segundo volume da trilogia.

Espero que, tal como para o Correio, este seja um ano memorável para todos vocês, e que o próximo seja ainda melhor!

Roberto Mendes

Ficção e facto científico podem ser uma e a mesma coisa. Neste excelente vídeo, são dados alguns exemplos do que a ficção científica já desenvolvia no passado e que se veio a tornar realidade no presente. Vale a pena ver:

Roberto Mendes

Nir Yaniv – Coming Soon

niryaniv

Nir Yaniv é um escritor, editor e músico Israelita. Co-autor com Lavie Tidhar do livro “The Tel Aviv Dossier”, e também com alguns livros publicados, é reconhecido principalmente pelos seus contos ao estilo “Fight Club”. Surreal, é a palavra que melhor define o seu estilo. Com presença marcada na revista Weird Tales, entre outras, está agora nomeado para o “melhor conto do ano da Apex”, depois do seu conto “Cinderers” ter suscitado interesse na colectânea “The Apex Book Of World SF”.

Um autor “Dagon”, a descobrir em Janeiro no primeiro volume em papel da revista de todos e para todos!

Roberto Mendes

FELIZ NATAL

O Correio do Fantástico deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal!

Trabalho de Anne Stokes-copyrighted;

Roberto Mendes

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