Um caminho para o mundo de Tolkien por Elisabeth Nilsson

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JRR Tolkien não é apenas reconhecido popularmente como o “pai” da literatura fantástica moderna; sua obra também figura entre os maiores clássicos de todos os tempos.

Não há dúvidas quanto ao impacto imenso de seus livros sobre gerações de leitores por todo o mundo. Seu famoso mundo imaginário, a Terra-média, o cenário para a maior parte de seus contos, é repleto de detalhes extremamente complicados envolvendo idiomas, personagens, lugares e eventos dramáticos e importantes, muitas vezes parecendo-se com fatos históricos concretos ou mitos bem conhecidos de nosso próprio mundo, dando a forte impressão de um lugar legítimo, que verdadeiramente existe, com personagens e criaturas vivas e reais, de uma forma muito impressionante.

Tal fato fez com que o mundo e os idiomas de Tolkien se tornassem comumente motivos de estudos entre acadêmicos e a Terra-média um lugar amado por milhões de leitores. Nesse ensaio, irei explorar e discutir a respeito de diferentes composições iniciais, eventos históricos, línguas, mitologias e interesses e experiências pessoais que inspiraram Tolkien a criar e dar forma a Terra-média bem como a tudo que existe nela. De onde surgiu a inspiração que cobriu a Terra-média de Elfos, Orcs e Hobbits? Quais foram as fontes da visão literária que provocariam tal impacto no mundo? E o que teria feito essa visão assumir uma característica tão fortemente cativante nas mentes de leitores ao redor do mundo?

Pessoalmente, tomei conhecimento sobre Tolkien pela primeira vez após ler sua obra-prima O Senhor dos Anéis. O grande conhecimento do autor a respeito dos assuntos lidados no livro, o modo como sua perspicácia e sabedoria são tão belamente expressadas no decorrer da história é impressionante e inspirador e, assim como eu, sei que muitas pessoas descobriram que ler esse livro é passar por uma experiência que muda suas vidas e, assim como minha própria reação, a delas foi desejar aprender mais sobre o autor e o mundo que ele criou. A pesquisa para realização desse projeto foi muito interessante e agradável, e me convenceu ainda mais que o Professor Tolkien deve ser uma das mentes mais brilhantes que já viveu nesse mundo, uma impressão que espero repassar nesse trabalho. Suas influências são tantas e tão diversas que seria impossível cobrir todas em apenas algumas páginas desse projeto, mas me comprometo a fazer meu melhor para apresentar uma circunspecção sobre as fontes de inspiração mais importantes para JRR Tolkien.

Lido por mais de 100 milhões de pessoas desde sua publicação em 1954, O Senhor dos Anéis, livro que levou mais do que 10 anos para que o professor de Oxford o concluísse, é a obra mais aclamada de JRR Tolkien. Outro de seus livros mais famosos, O Hobbit, o qual introduziu a Terra-média aos leitores pela primeira vez, é apenas um dos vários livros infantis divertidos escritos por ele. Entretanto, na opinião do próprio Tolkien, essas não eram de forma alguma suas obras mais importantes.

A maioria das pessoas não está familiarizada com a quantidade de material literário, com histórias e relatos que ocorrem principalmente na Terra-média, Tolkien compôs de fato. O professor de Oxford passou toda sua vida explorando a Terra-média (um nome derivado do Nórdico Arcaico Midgard, a terra habitada por humanos na mitologia Nórdica). Infelizmente, grande parte desse material nunca foi publicada durante o tempo em que viveu. Após sua morte, notas extensas e detalhas foram compiladas, organizadas e publicadas por seu filho, Christopher Tolkien. Essas publicações incluem: O Silmarillion, Contos Inacabados e uma sequência de 12 volumes de livros chamada A História da Terra-média (The History of Middle-Earth); milhares de páginas de obras literárias muito impressionantes que dão uma visão da origem e da mitologia da Terra-média, e visto pelo próprio Professor Tolkien como seu trabalho mais importante.

O conhecimento e amor de Tolkien por línguas são inseparáveis de sua carreira acadêmica e produção literária, e outra parte importante e admirável de sua realização literária são os idiomas que ele criou para os povos da Terra-média. Especialistas em Tolkien alegam ter conhecimento de pelo menos 14; nove idiomas élficos, todos falados por diferentes “tribos” de Elfos (Quenya, Sindarin e Telerin sendo os mais importantes); pelo menos sete línguas diferentes para os homens (incluindo Adûnaico, Rohirric e Westron); a língua dos Valar, dos Ents, dos maléficos Orcs e o idioma secreto dos Anões. Grande parte desses idiomas são completos com gramática e dialetos complicados e uma longa história.

JRR Tolkien era ainda um rapaz bem jovem quando encontrou um livro de gramática finlandês na livraria do colégio. Ele desenvolveu imediatamente uma fascinação muito forte pelo idioma, o qual não se parecia em nada com qualquer coisa que já tivesse visto antes. Em suas próprias palavras, foi o “foguete” que lançou suas histórias, e para o aspirante a filólogo, o finlandês inspiraria a criação do idioma Alto Élfico Quenya, língua que considerava ser equivalente ao Latim da história européia.

A experiência também o lembraria de um poema finlandês que havia lido anteriormente, chamado Kalevala, no qual encontrou inspiração para compor um épico similar para a Inglaterra, pois ele sempre se sentiu frustrado por sua terra não possuir uma mitologia própria, mas ter sido roubada dessa oportunidade quando o país foi forçado a se submeter à influência normanda por séculos. Ele posteriormente afirmou que suas histórias sobre a Terra-média começaram como um esforço de reescrever e aprimorar o Kalevala; compondo uma mitologia para a Inglaterra. Ele inclusive pegou emprestados detalhes do conto: sua descrição da criação do mundo por Ilúvatar foi inspirada em Ilmatar, a criatura que dá forma ao mundo na mitologia do épico finlandês. Existem também temas similares; o Um Anel do mundo de Tolkien e o efeito da corrupção moral que ele exerce sobre seu portador é equivalente ao engenho mágico Sampo, que moe quantidades infinitas de grãos, levando a enormes riqueza e poder, mas também a corrupção. O maligno Kullervo foi usado como modelo para o personagem de Túrin Turambar. Ambos são foras-da-lei constantemente procurando por vingança, mas com resultados trágicos, os dois acidentalmente se apaixonam por suas irmãs que cometem suicídio quando descobrem a verdade, e ambos acabam com suas vidas falando com suas espadas, pedindo que elas os matem.

Quando ainda era um estudante em Oxford, a eclosão da guerra em 1914 dilaceraria todos os planos otimistas de Tolkien para o futuro. Juntamente com milhares de jovens ingleses, ele embarcou para França para servir como soldado na Grande Guerra. Nesse ponto, imagens da Terra-média já haviam começado a tomar forma na mente do jovem rapaz e, durante períodos de quietude nas trincheiras, Tolkien escrevia suas histórias em pequenos blocos de notas; o início de um mundo que seria amado por tantos. A história era sobre a Queda de Gondolin, que descreve desespero e aflição imensos e a impiedosa queda e destruição de uma grandiosa e linda cidade por poderes escuros. Fragmentos dessas notas ainda permanecem preservados.

Quando escreveu sobre os Pântanos Mortos em O Senhor dos Anéis, Tolkien novamente faz alusão aos horrores da guerra quando descreve cadáveres apodrecendo sob águas rasas, encarando com seus olhos vidrados, frios e mortos; “todos imundos, todos podres, todos mortos”, soldados caídos de uma batalha antiga. Isso se baseia, sem sombra de dúvidas, em experiências de guerra, quando corpos de soldados mortos permaneceriam deitados nas trincheiras durante dias antes que qualquer um tivesse tempo ou forças para enterrá-los. Os mesmos pântanos são descritos como uma área vasta, lamacenta e traiçoeira que se estende até onde a vista alcança, provocando uma sensação esmagadora de desesperança. Lama, água e grande desespero, essa é uma descrição precisa do cenário das trincheiras durante a guerra.

Os idiomas que Tolkien conhecia incluíam Greco Arcaico, Latim, Gótico, Nórdico Arcaico (Islandês Arcaico), Sueco, Norueguês, Dinamarquês, Anglo-saxão (Inglês Arcaico), Inglês Médio, Alemão, Holandês, Francês, Espanhol, Italiano, Galês e Finlandês. Ele era obviamente um gênio linguístico e sempre guiava a composição de suas obras como romancista de volta ao seu desejo de criar idiomas. “Para se fazer com que um idioma funcione, é preciso que ele tenha histórias para contar”, ele disse. Então, ele escreveu as histórias.

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