Crítica a “Os Jogos da Fome” por Rui Baptista

Uma obra que me tem deliciado em todos os sentidos, “Os Jogos da Fome”, publicado pela Editorial Presença, estará em destaque no Correio do Fantástico, com uma série de críticas. Hoje disponibilizamos uma critica de Rui Baptista, autor do excelente blogue Bela Lugosi is Dead (um conselho: visitem o blogue que é mesmo muito bom).

Os Jogos da Fome_2

Título original: The Hunger Games

Autora: Suzanne Collins
Tradução: Jaime Araújo
Editora: Editorial Presença (2009)

Autor: Rui Baptista

Publicado originalmente em: Bela Lugosi is Dead

“Num futuro pós-apocalíptico surge, das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa doze Distritos com uma mão de ferro.

Uma anterior revolta fracassada dos Distritos conta o Capitol resultou num acordo de rendição em que os distritos se comprometem a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome – um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é «matar ou morrer».

No final apenas um destes jovens escapará com vida.”

Logo à partida, é difícil não estabelecer comparações com o romance de Koushun Takami, Battle Royale (1999). A premissa de ambos é bastante semelhante, mas enquanto que Battle Royale é assumidamente para adultos – é agressivo, feroz, violento e bastante gráfico –, já Os Jogos da Fome, destina-se a um público mais jovem. E aqui entramos em contradição.

“ – Quando soar o gongo, fujam logo dali. Nenhum de vocês está preparado para o banho de sangue na Cornucópia.”

A autora oculta-nos os detalhes mais gráficos, mas nem sempre parece lembrar de o fazer. E se por um lado a história de Suzanne Collins indica-nos que estamos diante de um romance para um público mais jovem, por outro lado, não são raros os momentos em que fica a sensação de que o romance destina-se a uma faixa etária mais alta, dada as situações mais complexas de difíceis em que as personagens por vezes se encontram.

O romance é-nos apresentado como sendo de ficção científica, no entanto o que mais se sente é uma crescente angústia e horror. E como acompanhamos a história sempre do ponto de vista da personagem principal, Katniss, uma jovem adolescente de 16 anos, mais facilmente esses sentimentos são transmitidos aos leitores.

Infelizmente, toda essa angústia acaba por se desvanecer a certa altura do romance, passando a dar lugar a uma visão utópica já explorada por muitos autores. Não quer isto dizer que o livro perca qualidade, Suzanne Collins mantém sempre um nível elevado na escrita – que Jaime Araújo fez o favor de traduzir bem.

O mais interessante é que Os Jogos da Morte é o primeiro livro de uma trilogia. Catching Fire, o segundo volume, foi publicado muito recentemente nos Estados Unidos. Assim poderemos esperar melhorias, ou tão somente a continuação de um bom romance.

E para quem possa pensar que Os Jogos da Fome destinam-se apenas ao público mais jovem, desengane-se. Este é um romance obrigatório para todos, em especial para os amantes de literatura fantástica.

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2 respostas a Crítica a “Os Jogos da Fome” por Rui Baptista

  1. Pingback: Esta semana … (2009.11.07) « Rascunhos

  2. diz:

    Adorei este livro ja o o li a uns meses e tive de o encomendar de propósito, adorei a escrita de suzanne collins , mas pedi agora no natal a tradução para ver a diferença de escrita

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