Proposta de um Rumo:

A discussão vai longa e, pelo que me parece, terá efeitos positivos num futuro próximo. Não está isenta de quezílias entre alguns elementos, por vezes palavras que não deviam ser usadas, frases que podiam não ser escritas. Contudo, pelo que consegui perceber com a ajuda do Rogério Ribeiro, da Saafa, do Luís,  do Jorge Candeias e sobretudo pelo artigo sobre o fandom disponibilizado pelo Jõao Seixas, o fandom portugês sempre foi alimentado por algumas destas situações.

As questões foram lançadas, é hora de dar respostas!

Atrevo-me a arriscar o pescoço (não querendo parecer ter um direito subjectivo a um lugar messiânico na literatura fantástica portuguesa, que me perdoe o Luís, mas nisto ele está muito errado) , dando as minhas respostas. Serão divididas em três partes que correspondem ao mesmo número de géneros literários, que por si absorvem uma enorme quantidade de subgéneros. Será então dívidida a questão em Terror, Ficção Cientifica e Fantasia.

Para todas apresentarei medidas a tomar;

Terror:

Criação de um projecto em conjunto com o blogue Bela Lugosi is Dead para a futura edição de um e-book constituido por contos de terror de autores portugueses!

Abertura de um espaço rotaticional na revista Dagon, que se dedicará a cada um dos géneros por número, após a publicação do primeiro número.

Abertura de Espaço no Correio do Fantástico em que os autores e leitores de Terror possam contribuir com os seus textos, noticias, críticas, entre outros…

 

Fantasia:

Além de um número dedicado ao género na revista Dagon, abertura de espaço no correio do fantástico para que os autores e leitores portugueses e brasileiros deixem os seus contos, que serão  alvo de crítica fundamentada.

Receberemos no nosso e-mail qualquer texto de análise ou de notícia sobre temas relacionados com este género, que serão, depois de prévia revisão e aceitação, postados sob o nome do seu autor.

 

Ficção Cientifica:

Além de um número dedicado ao género na Dagon, aqui arrisco um pouco mais e atrevo-me a lançar a ideia de uma verdadeira união do Famdom em torno da causa, através da criação de uma figura real e não abstracta (como me parece ser a definição do famdom actual), sob um nome e uma causa (a ficção cientifica). A criação então de um um espaço de movimento de um grupo de entusiastas, seja através da criação de uma associação nos termos da lei actual, seja através da criação de uma tertúlia oficial. Esta associação teria objectivos concretos, através de um plano de actividades e de um plano de objectivos. O preenchimento destes objectivos seria feito pela direcção, aquando da sua tomada de posse. Todos os fãs estão convidados, sendo cobrada uma taxa de sócio no caso de ser criada uma associação ou de uma taxa de contribuição no caso da criação de uma tertúlia. Com os meios tecnológicos que hoje dispomos não existem desculpas por uns serem de Bragança e outros de Faro!

 

Objectivo Principal: Activar os escritores de FC nacional, dando-lhes estímulos, criando eventos, pagando aos autores quando possível. Dar algo aos leitores, que por sua vez também ajudariam a causa de forma activa. Traduzir contos estrangeiros.

Outros Objectivos:

Criar uma História da Literatura de FC Nacional; Divulgar a mesma e divulgar o género, Traduzir contos estrangeiros, entre outros;

Algo de semelhante pode ser feito para os outros géneros.

Aqui estão soluções. São viáveis. Se terão ou não

sucesso só arriscando se saberá e só o futuro o dirá!

Quem está Comigo?

 

Roberto Mendes

 

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42 respostas a Proposta de um Rumo:

  1. Luís Rodrigues diz:

    Roberto, quer-me parecer que não estou assim tão enganado. Com tanto entusiasmo, não precisas de modéstia para nada! Ver uma comunidade mais activa no género parece-me sempre bem (com as edições, as tertúlias, etc.), mas não posso passar sem um comentário no que ao seguinte diz respeito:

    ” . . . seja através da criação de uma associação nos termos da lei actual . . . ”

    Tendo passado por duas associações do género em Portugal, a defunta (ou comatosa) Simetria-FCF e a actual Épica-APFA, digo-te que não imaginas a carga de trabalho, despesa e responsabilidade em que te irias meter. Sou o primeiro a admitir que a APFA não faz tudo o que devia estar a fazer (aparte do apoio ao Fórum Fantástico e de ter trazido cá o George R. R. Martin), mas compreendo que isso acontece porque mais difícil do que constituir uma associação, é dedicar-lhe o sangue, suor e lágrimas necessários para a animar no seu dia-a-dia.

    A ideia parece-me ainda mais descabida à luz de uma eventual fragmentação dos números e dos esforços de uma comunidade já de si muito dispersa. Não temos gente para UMA associação, quanto mais para TRÊS. Embora a concorrência seja muitas vezes saudável, pensa bem antes de investires esforços num projecto desta envergadura se não é preferível colaborar antes com as estruturas existentes. (A implicação de trabalhar com pessoas de filosofias e atitudes plurais faz parte do território, também terias esse “problema” numa associação fundada de raíz, como sempre tivemos com a Épica.)

  2. igdrasil diz:

    Eu não disse que se podiam criar três associações, apenas na FC me parece ser o único caminho. Pode é fazer-se alg de semelhante, quem sabe se não aparecem pessoas para fazer pelos outros géneros o mesmo, se por acaso a associação fosse bem sucedida?

    E quanto ao associativismo, conheço-o bem. Não com a envergadura do que proponho, mas não será para isso que serve o fandom?Para ser parte e aconselhar?

    Não nego que seria mais fácil pegar numa associação já criada e com actividades feitas (como a EPICA), do que criar uma de raiz. Mas pergunto-te a ti Luís, enquanto membro do conselho fiscal, estaria a EPICA preparada para isso?

    “(A implicação de trabalhar com pessoas de filosofias e atitudes plurais faz parte do território, também terias esse “problema” numa associação fundada de raíz, como sempre tivemos com a Épica.)”

    Nem sempre esse é um mau problema. Eu sei o que é trabalhar com pessoas diferentes, e isso acontece sempre e em qualquer lugar.

    É agora que vos peço a vós, membros do Fandom (alguns já assistiam na primeira fila o fantástico nas artes ainda eu não tinha nascido), que aconselhem e que se juntem por uma causa que vos é comum!

    Together we Stand, Divided we Fall

    Abraço

  3. Luís Rodrigues diz:

    “Eu não disse que se podiam criar três associações, apenas na FC me parece ser o único caminho.”

    O que eu disse é que já existem duas associações, a que sugeres seria a terceira. Para quê, pergunto eu? Ainda por cima uma associação exclusiva para a ficção científica? Explica-me em que realidade alternativa deste mercado microscópico é que isso alguma vez poderia resultar, se nem lá fora esta separação existe sem sobreposição de interesses.

    “Não nego que seria mais fácil pegar numa associação já criada e com actividades feitas (como a EPICA), do que criar uma de raiz. Mas pergunto-te a ti Luís, enquanto membro do conselho fiscal, estaria a EPICA preparada para isso?”

    Não sei o que é que a minha participação no conselho fiscal tem a ver com a resposta, mas se queres saber se remuneramos sócios pelo seu contributo para o género, a resposta é não.🙂

    • igdrasil diz:

      Bem, em primeiro lugar serviria para unir os fãs do género. Em segundo lugar procuraria reavivar o mercado de FC disponibilizando os meios de suporte aos escritores, sejam eles antologias ou revistas, eventos ou tertulias, grupos de leitura crítica dos textos de cada um, etc… Se fizer-mos isto pela causa, e não por ganhos pessoais, por mais microscópico que o mercado seja, se uma pessoa beneficiar do nosso trabalho estarei satisfeito!

      então agora pergunto-te claramente, a ti e ao Rogério, à Saafa, a quem me souber responder: que se passa com a EPICA? Vão haver eleições? Vai existir continuação do excelente trabalho que tem sido feito?

  4. Roberto,

    tu leste o post do Seixas sobre a história da Simetria? Também a Épica foi criada primariamente por necessidade de uma instituição que apoiasse o Fórum, terá sido esse provavelmente o único ponto em que todos os membros da Épica sempre concordaram. Nem sempre quanto ao conteúdo do evento, mas na necessidade de me darem a mim e à Safaa a autonomia para gerirmos o evento mantendo a “sombrinha” da Épica. Pela mesma razão, a Épica pouco mais conseguiu fazer que manter um site bem actualizado durante algum tempo (a custo quase único da Safaa). Quanto a tudo o resto, às actividades próprias em prol do género, cada um tem a sua visão e cada um tem as suas mil e umas razões para não ter tempo disponível para “ceder” á Épica.
    A Simetria ter-se-á desagregado mais depressa porque nem essa “autorização” de autonomia existiu da associação como um todo em relação a quem mais avançava com as iniciativas.

    Ou seja, criar uma associação dá mais chatices em termos de produtividade do que vantagens. Isto quando existe algo de concreto para proteger (como no FF), imagino quando deixa de haver (como parece ter acontecido na Simetria).

    Conclusão: não querendo ser pedagogo, mas falando simplesmente da minha consciência e da minha limitada experiência. Se queres criar um evento, fá-lo e cria uma instituição depois, baseada nesse ponto comum. Com mais sorte que os restantes de nós, conseguirás que o evento progrida e a instuição venha a ser mais do que isso.

    Para além disso, em Portugal precisa-se mais de obra e eventos do que de associações! Mas isso é a minha opinião… como presidente de uma. Vale o que vale…😉

    • igdrasil diz:

      Obrigado pela explicação. Mas e se eu te propusesse revitalizar a Epica? Criar um grupo verdadeiramente disponível para “dar novos mundos ao Mundo”?

    • Álvaro Holstein diz:

      O problema não são as associações, é como foram criadas, o porque foram criadas e a forma como se comportam aqueles que as dirigem. A Simetria é o exemplo acabado.

      Realmente o mais importante é a realização de eventos, o maior número possível, pois só assim se conseguirá juntar quem gosta dos géneros e daí sairá o fandom.

  5. Jorge diz:

    Olha, Roberto, o que eu tenho a dizer-te a propósito disto, com conhecimento de causa, é: não tentes fazer tudo.

    Eu sei que há a tentação de deitar mãos a tudo, quando tudo parece estar por fazer (mesmo que não esteja). Mas por experiência própria te digo que esse é o caminho mais curto para não se conseguir fazer nada. Ou pelo menos para não se conseguir fazer nada bem.

    De modo que o que te aconselho é: escolhe um projeto e dedica-te a ele. Com toda a alma e coração que tens mostrado aqui. Mas não te disperses. É o exemplo de projetos bem sucedidos que pode levar outros a pôr mãos à obra também.

    • igdrasil diz:

      Obrigado pelo conselho Jorge. Eu não estou a pensar fazer (eu próprio) tudo, mas sim escolher algo e depois influenciar outros a travar também as batalhas. Serei eu “naif” ou poderei ainda sonhar com um futuro para o fantástico português?

      • Jorge diz:

        Queres uma resposta sincera? Acho que és algo naif, sim. O que normalmente acontece quando existe alguém muito ativo a fazer as coisas é que, a menos que seja possível manter um entusiasmo elevado, os outros se encostam. Não é nada de intrínseco ao fantástico português: acontece por todo o lado, em coletividades de todos os tipos, cá e lá fora. Especialmente quando as espetativas são elevadas à partida e os primeiros resultados ficam aquém, que é algo que acontece com frequência.

        Prepara-te para arcar com os teus projetos duma forma pouco acompanhada. É assim que o Rogério e a Safaa arcam com o Fórum Fantástico, é assim que eu arco com o Bibliowiki, sempre foi assim que os editores de fanzines arcaram com eles, etc. É melhor contares à partida com pouca ou nenhuma ajuda do que estares à espera de grandes apoios que depois não aparecem. É menos desmotivador.

        Mas isto não quer dizer que não podes sonhar com um futuro para o fantástico português. Podes e deves, porque ele vai sendo lentamente construído. Lentamente, com avanços e recuos. Um projeto de cada vez. Às vezes a lentidão exaspera, os recuos dão ideia de estarmos a bater com a cabeça na parede em vez de fazermos coisas úteis, mas quando se consegue de facto fazer alguma coisa, ou quando alguém mais faz algo que nos parece bem feito, é uma alegria dos diabos.

        Quando o Rogério diz que Portugal precisa mais de obra e eventos do que de associações, eu concordo por inteiro. É da concretização de projetos que a gente precisa.

        A Dagon está pronta?😉

  6. Rafa diz:

    Roberto não quero desmotivar ou criticar negativamente as tuas ideas, mas em Portugal com o nicho de mercado do fantastico não vale a pena estares a perder tempo/dinheiro noutra associação até porque no final são poucas as pessoas que dão suor e lagrimas pelos projectos.
    Conheço outros projectos fora do fantastico onde a malta fala fala mas quando chega a altura de entrar com dinheiro ou tempo cortam-se todos, e para uma associação precisas de adultos com tempo livre, não de putos que ainda andam a estudar porque assim que eles tiverem que trabalhar cortam-se todos.
    Não é uma opinião que me deixe muito alegre mas já vi muitos projectos irem pelo cano devido a divergências entre membros,falta de tempo,trabalho etc.

    Fica bem e como disse não é para desmotivar ou para dar um critica negativa porque sei que a intenção é boa mas em Portugal no estado actual da nação vale mais investir em projectos nossos do que em associações.

    RL

  7. Roberto:

    Claro que pelo menos uma associação no género activa e pujante é uma excelente ideia para qualquer um. Mas, continuo sem ver o sentido da tua insistência! O que ganharias com esse esforço neste momento, que não seja melhor empregue directamente a levantar outro projecto ou outro evento?
    Claro que se entretanto houvesse algo para que se tornasse essencial a ligação a uma associação eu daria toda a força para o envolvimento da Épica, mas pensa que isso exige que as ideias dos poucos impulsionadores da iniciativa seja avaliada (e acredita, o termo é mesmo este) pelo conjunto. E cada cabeça é uma sentença…

    De qualquer maneira, toma estas minhas palavras como as de alguém que neste preciso momento está quase exclusivamente envolvido numa etapa profissional muito exigente. Talvez se estivessemos a falar em 2010 a minha opinião fosse diferente, quem sabe. O nosso impeto também depende muito da nossa disponibilidade.

    • igdrasil diz:

      Rogério:

      Fica então este projecto, por enquanto, adiado. Os outros avançarão com a ajuda que muitos de vós já me estão a dar (no caso da Dagon) e com a ajuda dos leitores do correio e dos restantes leitores do fantástico.
      Eu percebo, estou num ano complicado também.

      João,

      Gostei de ler o texto de Campbell, obrigado. Percebo que te mantenhas céptico, assim até tenho mais um motivo para trabalhar cada vez melhor nos projectos, maybe i can make a believer out of you!

      “No entanto, e como sempre, estou disposto a apostar e a colaborar com novos projectos, pelo menos até ao momento em que se torne claro que já só estamos a arrastar um cadáver. Afinal, foram já tantos os que deixamos para trás (e mais um zombie que ainda pensa que pertence a alguma coisa..)”
      Ainda bem, pois vou precisar de toda a ajuda que me puderem dispensar.

      Rafa,

      Em primeiro lugar bem vindo ao Correio do Fantástico, visto que é a primeira vez, se não estou em erro, que comentas. Espero que o espaço te agrade e que voltes sempre para lutar-mos todos juntos contra o marasmo.

      Agradeço a tua opinião.

      Ah, vejam bem : “Esta semana penso (ênfase no “penso) ter mais um “Momentos” e quem sabe, mais uma “Opinião” (se terminar um dos três livros que estou a ler. O conto … bem, vou mesmo ter de tentar fazer pelo menos um. Queria experimentar escrever fantasia porque anda aí uma acesa discussão sobre o fantástico em Portugal, que me adoçou o bico e deu-me ganas de escrever algo.” No blogue Capala.wordpress.com parece que já alguém sentiu vontade de escrever motivada pela discussão que se mantém aqui e no retratos da Saafa.

      Eu já fico satisfeito!

      Roberto

  8. Olá Roberto, Luís e Rogério.

    Espero que todo esse entusiasmo se venha de facto a concretizar em resultados palpáveis. pessoalmente, tenho as minhas dúvidas. Como disse, tenho-me tornado cada vez mais céptico quanto a este tipo de entusiasmos, que surgem mais da emoção e da ingenuidade do que da razão.

    Sobretudo, quando no debate que antecedeu todas estas propostas, lemos vários comentários que defendiam que a “qualidade” era subjectiva, dependente do gosto e impossível de identificar. Com pressupostos destes, nunca se chega a lado nenhum.

    No entanto, e como sempre, estou disposto a apostar e a colaborar com novos projectos, pelo menos até ao momento em que se torne claro que já só estamos a arrastar um cadáver. Afinal, foram já tantos os que deixamos para trás (e mais um zombie que ainda pensa que pertence a alguma coisa..)

    No entanto, e à laia de moderação de todo este entusiasmo, acho que seria útil recordar a resposta que Campbell deu a Ronald E. Graham em 1969, no auge do programa Apollo, quando a FC estava na moda, a propósito da criação de três novas revistas de FC:

    “As to your proposed publishing venture; my hunch is you’ll have great difficulty filling one magazine with the quality of material that will satisfy you. Remember that science-fiction has been going full blast in the United States for over 40 years now. With a population of 200.000.000, a reputation as a top magazine for over 30 years, and paying the highest rates in the field – I have a hell of a time getting an adequate supply of stories as good as I feel they should be, for my one magazine. As of now, I’m drawing stories from all over the English-speaking world; I have several Aussie authors, a number of English, and I also hear from Ghana, South Africa, India, Pakistan and other areas.

    To fill three magazines with satisfactory material – well, I can wish you luck, but I’ll have my doubts!

    My own suggestion would be to get one well launched; that will build up a cadre of writers; as the supply of material increases, then you could launch expansion.

    In manufacturing industry, you don’t launch a 10.000 ton per year plant, with a raw material source capable of only 2.000 tons per year!”

    É certo que nesta altura (Julho de 1969), muitos dos autores fiéis a Campbell se tinham mais ou menos afastado da Astounding/Analog, mas ainda assim é um quadro impressinante para o que se passava no mercado anglófono.

    Imagina as dificuldades no mercado português actual, conforme foram descritas nos vários comentários: se tiveres sorte de encontrares autores que escrevam bem nas três áreas do Fantástico (FC, Horror e Fantasia) para os números rotativos da DAGON já não era nada mau, embora me pareça muito difícil.

    Querer multiplicar iniciativas de forma exponencial, quando o nível de produtividade de todos os autores nacionais (do fantástico) combinados não chega aos 10-15 livros por ano, dos quais 90% são praticamente ilegíveis… Quando houve já dois projectos de associações malogrados entre 1997 e 2009, quando as revistas anunciadas (Portal FC, LEM e Snark) não se materializaram (ainda) e as que existiam (BANG!) abandonaram o formao impresso, quando nem os fanzines ou e-zines (DRAGÃO QUÂNTICO, HIPERTEXTO, HYPERDRIVE, CÂMARA OBSCURA, BRIGADAS FC, PHANTASTES, etc..) conseguiram manter-se…

    Já sei que vão dizer que são outra vez os ecos do Restelo e os bota-abaixistas do costume, mas estes são os factos contra os quais todas as iniciativas futuras vão ter que se bater.

    Abraços,

    Seixas

  9. Joel Puga diz:

    Parece-me que o João Seixas está a cometer um erro. A produção que falou, não será produção total, mas sim o total de obras publicadas. Certamente existe por aí muito material interessante que nunca viu a luz do dia. E projectos destes servem, exactamente, para trazer esse material ao de cima.

    Por outro lado, pode ser difícil encontrar material bom (e isto já colocando de parte as questões da subjectividade da qualidade, dos factores que a definem e da falta de standards estabelecidos para os mesmos), o que se quer em projectos de qualidade adequada, escrita por autores com possibilidades de crescer. Como saberá melhor que eu, as revistas de contos não servem só para divulgar génios, mas criar uma plataforma de crescimento para os menos bons.

    Por outro lado, também se espera que sejam projectos plurais que envolvam os diversos subgéneros, cada um com os seus critérios e standards de qualidade diferentes.

    Por fim, concordo com o que foi dito em relação a associações. Será, provavelmente, mais fácil reunir pessoas e vontade de trabalhar com projectos e eventos concretos do que numa associação sem “programa” definido.

    • Álvaro Holstein diz:

      Para complementar o que disse o Joel o fandom agrupasse em torno projectos e sobretudo de publicações e nelas se irá fazer a natural triagem, sem elas é apenas o deserto.

  10. Seixas:
    Excelente post!

    Roberto:
    Bom, ao contrário da opinião que o Jorge te expressou, não creio que sejas naif ou te devas impedir de tentar fazer várias coisas. Das várias coisas que fiz, sinto-me realizado com o resultado, não as teria feito a todas se não partilhasse dessa tua vontade de me atirar ao que sinto fazer-me falta. Creio que é uma motivação a valorizar. Quanto a durarem meses ou anos, perante o tiveres alcançado e produzido, ninguem te poderá cobrar mais do que deste.
    Mas também acho que te deves preparar para algo que do ponto de vista pessoal te será muito exigente. É nas relações humanas que muitas vezes as boas intenções falham. E as boas ideias se perdem. Lançar projectos que exigem colaborações é sempre delicado. Há que ter jogo de cintura. E aí, se achas que isso poderá ser problema, então serei obrigado a concordar que manteres-te no teu canto, com o teu projecto, será o mais produtivo.

    Mas voltando ao que interessa, a coisas concretas:

    Revendo as medidas que resumiste no corpo inicial do post, na minha opinião, aquela que potencialmente seria mais produtiva na evolução que parece todos desejarmos é a criação de uma forma de apresentar ficção pela qual os seus autores fossem pagos.
    Porque assim os autores se sentiriam de alguma forma recompensados, porque isso permitiria a quem constituisse o orgão editorial exigir que fossem respeitados os seus padrões de qualidade (sejam eles os objectivos ou os subjectivos).
    Assim, abro directamente a discussão deste tema. Como conseguir produzir algo (uma revista?) com capacidade de pagar aos autores?
    E digo uma revista porque acho que nenhuma forma de ebook comanda ainda o mesmo fascinio generalizado que o formato papel gera. Independentemente de posteriormente se criar, por razões de divulgação, uma versão electrónica.
    Em termos de produção, temos hoje capacidades, com coisas como a lulu.com, que não havia antes. Será essa a solução para produzir?
    Se sim ou não, mantém-se a questão central, como suportar a sua produção mesmo considerando que eventualmente se conseguirá publico para a manter.

    Vamos discutir as porcas e os parafusos?

    Um abraço,
    Rogério

    • Olá Joel.

      Estava a referir-me, claro, às obras publicadas. São essas as que contam, por muito que gostássemos de defender o contrário.

      No tocante ao eventual conteúdo de uma revista, sim, estou de acordo que não pode dedicar-se à publicação apenas de obras de génios (aí, tenho por certo, que não teríamos muitas págnas preenchidas, se é que algumas). O que eu queria referir, no caso de não me ter feito entender, é que qualquer revista ou publicação, terá que ter um mínimo de qualidade, que servirá de standard editorial para a aceitação de originais.

      Para isso servem os editores e os directores editoriais. Porque se é necessário estimular a produção de talento nos escritores mais (e menos) jovens, isso não se consegue dando à estampa textos mal escritos, mal pensados ou mal construídos, apenas à laia de cenoura. O estímulo do talento e da criatividade consegue-se apontando o nível mínimo de qualidade que os eventuais autores deverão ter como meta. Estabelecer esse mínimo compete, repito, ao editor ou director da revista.

      Só assim, e repito, só assim, se pode conseguir construír um quadro de autores com um mínimo de talento e qualidade capaz de fazer com que leitores ocasionais voltem a experimentar a revista. Porque um leitor que compre (ou faça o download gratuito de) uma revista, não quer encontrar os rascunhos de um workshop de escrita criativa. Quer encontrar textos minimamente capazes.

      Ora, se acredito que a DAGON e a BANG! consigam fazer isso (embora a BANG! também já tenha tido os seus tropeços em termos de qualidade – e por mãos de autores já publicados), já sou céptico quanto a que o pool de autores actualmete em actividade e que satisfaçam mínimos de qualidade consigam aguentar números temáticos de uma revista: sobretudo quando no Horror, como se viu, por exemplo, na antologia dos Contos de Terror do Homem-Peixe, é muito difícil conseguir mais de dois ou três bons textos. Na Fantasia é ainda mais difícil, e FC quase ninguém escreve.

      Mas, como digo, todas as iniciativas são importantes.

      Abraços,

      Seixas

    • Olá Rogério.

      Totalmente de acordo. Aliás, foi o defeito maior que apontei às editoras no meu primeiro comentário: a falta de apoio à profissonalização dos autores.

      Ora, se a NOVA chegou a pagar (e generosamente) aos autores que publicavam, acho que devia ser um exemplo a seguir para renovar definitivamente o panorama do Fantástico.

      Abraços,

      Seixas

      • Desde que seja de uma forma mais sustentada…

        É-me dificil falar da Nova, como imaginas. Por razões pessoais, e por nunca ter percebido alguns aspectos do seu mecenato (ou seja, também aqui por razões pessoais, lol).

        Um abraço,
        Rogério

      • igdrasil diz:

        Eu não conheço a realidade da Nova. Que achas da ideia que referi?

      • Thanatos diz:

        Olá igdrasil.

        Antes de mais quero felicitar-te pelo empenho e entusiasmo que denotas ao longo dos teus posts. É entusiasmante ver que ainda há pessoas que tentam remar contra a maré. No entanto considero que para alguém que se propõe enfrentar as procelosas águas do fandom nacional convém conhecer as realidades dos escolhos que as povoam, daí que o que me traz aqui aos comentários é a referência ao projecto NOVA do qual sou um dos editores.

        Reparo que mencionas que não conheces a realidade da NOVA pelo que te deixo aqui o link do site da mesma para que possas visitá-lo e, quiçá, até fazer download dos números lá existentes: http://nova-ezine.farvista.net/

        São gratuitos pelo que não incorres em perigo maior do que a perda de algum tempo. E na minha humilde opinião o trabalho dos autores publicados merece essa “perda de tempo”.

        Quanto ao comentário do Seixas acerca do “pagamento generoso” devo ressalvar que nalguns casos os colaboradores, nomeadamente o Luís Filipe Silva, o João Ventura e o Telmo Marçal, prescindiram do que lhes seria devido.

        O meu intuito com o pagamento aos autores/tradutores era numa perspectiva de encorajamento à prata da casa (no caso dos tradutores porque considero que o trabalho e o dispêndio de tempo deve ser remunerado, no caso dos autores como compensação pelo seu labor artístico) mas a realidade é que ao fim de vários meses tenho imensos textos de estrangeiros para apreciação (muitos mais do que tenho sequer tempo para apreciar) e poucos ou nenhuns nacionais. E dos poucos nacionais a qualidade (do meu subjectivo ponto de vista, obviamente) não chega aos padrões mínimos exigíveis.

        Assim sendo o projecto entrou numa espécie de hiato (sendo que era uma evolução directa do hyperdrivezine) esperando por melhores dias.

      • igdrasil diz:

        Thanatos,

        Obrigado pela felicitação e, principalmente, pelo link da Nova. Irei ler os números e tirar as minhas conclusões. Sei que este desconhecimento revela uma lacuna que urge preencher, por isso o meu obrigado pela ajuda. Também eu penso que os autores devem ser recompensados, contudo neste primeiro número não disponho de meios para o fazer. Posso perguntar-te como conseguiste encontrar esses meios?

        “mas a realidade é que ao fim de vários meses tenho imensos textos de estrangeiros para apreciação (muitos mais do que tenho sequer tempo para apreciar) e poucos ou nenhuns nacionais. E dos poucos nacionais a qualidade (do meu subjectivo ponto de vista, obviamente) não chega aos padrões mínimos exigíveis.”

        Percebo perfeitamente essa dificuldade. Recebi perto de quatro dezenas de textos para a Vollüspa, que deveriam preencher o espaço de dez contos curtos. No processo de apreciação dos textos deparei-me com uma grande dificuldade: a grande ausência de qualidade (aferida subjectivamente, claro). Penso no entanto ter encontrado nove bons contos, estando ainda à espera de uma pérola que preencha o décimo espaço.

        Um muito obrigado e volta sempre:)

      • Olá Ricardo e Roberto,

        Ricardo,
        espero que com essa alusão ao “pagamento generoso” não tenhas ficado com a impressão de qualquer crítica implícita minha – se o disse foi porque acho que os _rates_ que pagavas eram bastante aceitáveis e quem me dera que todos pagassem assim. Aliás, e como sabes, espero que o projecto volte a levantar voo.

        Roberto (e também Ricardo),

        Todos sabemos que as críticas, sejam elas quais forem, têm sempre um elemento de subjectividade, tal como acontece com as linhas editoriais e tudo o mais. Mas também todos sabemos – a História o demonstra – que é possível aferir *objectivamente* dos níveis de qualidade de um trabalho literário: a nível de construção da narrativa, do uso da linguagem, da apreciação dos ritmos, da naturalidade dos diálogos, etc…

        Não acham que essa constante subserviência aos ditames do politicamente correcto, escudando as vossas apreciações em tímidas e envergonhadas capas de subjectividade diminuem o trabalho dos autores que vocês publicam e dão azo às reclamações dos autores mais medíocres que se sentirão sempre legitimados a dizer que se não os publicaram não foi porque eles não tinham qualidade, mas sim porque *vocês* não tiveram gosto (subjectivamente falando, claro)?

        Abraços,

        Seixas

        (PS: peço desculpa pela duplicação deste comentário, mas foi-me parar lá acima… Roberto, se puderes apagar o de lá de cima, para não haverem mal-entendidos… Obrigado)

      • Thanatos diz:

        Seixas,

        Nem de perto nem de longe considerei a expressão como sendo alguma crítica. Meti-a entre aspas porque, regra geral, procedo assim com expressões citadas. Sei que tipograficamente não é correcto mas já me habituei tanto a este esquema que já o faço em piloto automático.

        Quanto ao politicamente correcto encaixo em parte o «puxão de orelhas», mas como bem sabes em tempos sempre que puxava do ácido vitriólico era logo espancado em praça pública. Ora com o tempo fui pensando que provavelmente o PC existe não para poupar os medíocres mas antes para poupar os que se atrevem a dizer o que acham! É um mundo estranho eu sei.😀

        Talvez algum dessinteresse pela «cena» também me tenha tornado mais tolerante (no sentido de live and let live) e actualmente reserve para mim e para o meu círculo de conhecidos o que penso de escritor A, B ou C. A última vez que devo ter puxado ao politicamente incorrecto o resultado foi meramente desastroso (se quiseres e tiveres tempo podes seguir o link e apreciar por ti: http://www.bbde.org/index.php?showtopic=5629)

        igdrasil,

        Sobre a questão de onde encontrei os meios não há mistério nenhum: saem da minha própria carteira. Não tenho nenhum patrocínio secreto nem nada do genéro. Mas como tenho alguma carolice e não tenho despesas por aí além penso que ir metendo algum dinheiro de parte para «subsidiar» um projecto não é nada que vá muito contra o normal em hobbies.

        Aliás se reparares tanto a Hyperdrivezine como a NOVA saem ao ritmo de uma/duas por ano e a mais cara de todas ficou um bocadinho abaixo dos 600 euros. Conheço muito boa gente que gasta muito mais que isto com os seus hobbies/pancas😉

      • Luís Rodrigues diz:

        “A última vez que devo ter puxado ao politicamente incorrecto o resultado foi meramente desastroso (se quiseres e tiveres tempo podes seguir o link e apreciar por ti: http://www.bbde.org/index.php?showtopic=5629)”

        Belas recordações, não haja dúvida. E que bom é ver que a personagem mais contenciosa e quezilenta do nosso fandom continua igual a si própria . . .

      • Álvaro Holstein diz:

        Continua a ser a velha máxima é que a verdade continua a ser um bicho papão. Sobre as antologias irei ao fórum “opinar” e quem sabe volto aqui.

    • igdrasil diz:

      Jorge: Quero sempre respostas sinceras. Obrigado pela tua. Quanto à Dagon, faltam limar arestas, receber três textos que estão quase a ser entregues e fazer a revisão! O Grosso está feito. Quero apostar nos primeiros dias de Agosto e tenho quase a certeza que cumprirei. Posso adiantar que são mais de 150 páginas de material.

      Rogério,

      Obrigado pela opinião.

      “Mas também acho que te deves preparar para algo que do ponto de vista pessoal te será muito exigente. É nas relações humanas que muitas vezes as boas intenções falham. E as boas ideias se perdem. Lançar projectos que exigem colaborações é sempre delicado. Há que ter jogo de cintura. E aí, se achas que isso poderá ser problema, então serei obrigado a concordar que manteres-te no teu canto, com o teu projecto, será o mais produtivo.”

      Penso que se a minha formação em Direito me deu alguma coisa foi jogo de cintura, espero que tenha o suficiente! Se fizesse um estilo de pré reservas da revista, (sabendo o custo de produção da unidade da revista, impressa por exemplo numa gráfica) onde o leitor pagava por transferência bancária e recebia a revista em casa por correio, talvez resultasse. O preço da revista seria apenas o seu custo de produção, acrescido de uma pequena percentagem que seria acumulada para pagar num número seguinte aos autores dos textos. Os portes seriam, no entanto, um problema. É uma solução rudimentar, mas que talvez fosse exequível.

      Também podia pedir patrocínios camarários, o que já é muito mais difícil ou ainda tentar vender a ideia (quase impossível)

      Estou feliz por finalmente, com diz o Rogério, estarmos a discutir as “porcas e os parafusos”;

      Joel,

      “Certamente existe por aí muito material interessante que nunca viu a luz do dia”

      Espero bem que sim…

      • Luís Rodrigues diz:

        “Se fizesse um estilo de pré reservas da revista,”

        O problema é que, tirando aqueles que te vão apoiar o projecto por uma questão de princípio ou de fé, não vais conseguir vender assinaturas sem pelo menos um exemplar palpável. Boa parte das pessoas não compra promessas, e quando compra quer as coisas para ontem. Mesmo ultrapassado esse obstáculo, terás de enfrentar a desilusão de um número ridículo de assinantes, como aconteceu com a Bang! em formato papel, apesar de toda a publicidade e investimento de tempo e dinheiro pela Saída de Emergência. É claro que vendidas as assinaturas, assumes o compromisso e a responsabilidade de continuar a publicar, ou admites o fracasso e restituis o dinheiro.

        Tem ainda presente que o público português é notório na sua aversão às compras online — muitos editores te dirão isso de experiência. Talvez mude de futuro, mas até lá só conseguirias chegar a uma fracção de um mercado já de si ínfimo. A alternativa é, claro, conseguires um acordo de distribuição, mas terias de considerar percentagens para distribuidores e retalhistas.

        Não te quero desencorajar, mas acho que todo este entusiasmo devia ser temperado com uma dose de realismo e ponderação. Aconselho-te uma abordagem mais comedida e ajustada não só à realidade do mercado português, como ao esforço que julgas capaz de dispender, porque dar “respostas” e “soluções” não basta: é preciso suar muito. Se estiveres de facto preocupado com a qualidade da execução, qualquer um dos projectos que apresentaste é quase um emprego. E digo “quase” porque, ao contrário de um emprego, não terás grandes expectativas de remuneração. Terás de persistir por amor à camisola e, nestas andanças, quanto menos desgostos encontrares, melhor.

  11. Joel:
    Perfeitamente de acordo sobre a tua avaliação do papel das revistas, principalmente no presente estado nacional.

    Mas não te esqueças que o Seixas, como membro de vários júris nos ultimos anos, tem estado numa posição priveligiada para ver muita dessa ficção que ainda não viu a luz do dia…

    Um abraço,
    Rogério

  12. Jorge diz:

    Eu acho que o mais importante em tudo isto é a preseverança. Olhando lá para fora para termos termos de comparação, vê-se que a generalidade dos fanzines, revistas, etc., duram há muitos números e muitos anos. Porquê? Porque encontraram o seu núcleo de público, de autores e de colaboradores, e mantiveram-no sempre em atividade ano após ano. Não é raro vermos publicações deste género a comemorarem uma ou duas décadas de existência, às vezes até mais, e dezenas de números, às vezes até mais de 100. E nem é preciso virarmos os olhos para muito longe, culturalmente falando: basta o Brasil.

    Em contraste, cá quase não se encontra publicação de género que tenha publicado mais de 5 números. Numa olhadela rápida pelo Bibliowiki, as únicas exceções nas publicações dedicadas são o Dragão Quântico, que publicou 6 (a propósito, Rogério, faltam-me os conteúdos do nº 0 e do nº 4. Arranjam-se?), o Paradoxo, que entre a série fanzine e a série revista publicou 7, o Eventos, fanzine por email que ainda pôs cá fora 15 números (embora alguns muitíssimo curtos) e a Bang!, que vai no 6º.

    Sim, é isso mesmo: em toda a história das publicações de género portuguesas só uma chegou aos 10 números, e foi uma publicação por email, exclusivamente fruto da dedicação do Luís Filipe Silva (embora de início sob o “toldo” da Simetria)!

    Assim não dá. E contra mim falo, que o E-nigma, embora sem números, também só manteve atividade regular durante cerca de dois anos.

  13. Já agora, e uma vez que a NOVA apareceu na conversa (olá, Ricardo!), creio poder considerar-se (mais) um indicador do estado do designado fandom o facto de não ter havido *uma única referência* (tanto quanto sei) ao aparecimento do último número da dita. Nem bem, nem mal, antes pelo contrário: um “não acontecimento”.

    [Declaração de interesses: fui um dos publicados no referido número].

    Eu bem sei que as explosões das NOVAS (desculpas pelo aportuguesamento do plural) ocorrem no vácuo cósmico, mas há sempre uns astrónomos que costumam dar por elas. Aqui deviam ter os telescópios apontados para o outro lado da galáxia…

    Abraços

    João Ventura

  14. Os comentários andam marados? O meu post de hoje foi parar no meio dos do dia 20…😦

  15. Thanatos diz:

    “Os comentários andam marados? O meu post de hoje foi parar no meio dos do dia 20…”

    E este acima também.

    De qualquer forma aproveito para dizer que relativamente aos comentários sobre a NOVA ainda recebi alguns via email do editor do Phantastes mas foi tudo e o próprio preferiu não divulgar publicamente a sua opinião sobre os textos, decisão essa que respeito e compreendo.

    Há tempos em conversa com um apreciador do género ele tentou explicar-me que a falta de comentários se devia a que a maior parte das pessoas não lê online preferindo imprimir tudo e ir lendo aos poucos, sendo que isso leva tempo.

    Esta explicação é plausível mas falha em explicar porque é que assim sendo uns, vá lá, três meses depois não surge algum comentário? É que, bolas, o mais recente número foi «publicado» a 13 de Novembro de 08. São oito meses! Ninguém tem nada a dizer?

    Mas isto são meros desabafos. Ao que parece os nossos amigos brasileiros também se queixam da falta de feedback. Isto quando eu acho que o fandom deles é mais participativo que o nosso numa ordem de magnitude de potência 10.

    Esperemos que a Dagon não esteja condenada à mesma semi-obscuridade.🙂

  16. Álvaro Holstein diz:

    O problema começa logo aqui:

    «Em Portugal, pelo contrário, os fans movem-se como traças, irresistivelmente atraídas para uma lâmpada, apenas para se afastarem subitamente quando a chama das resistências eléctricas lhes queima a ponta das asas. E mantêm-se à distância, desconfiados, ensaiando aproximações amedrontadas.

    Este comportamento atípico (como veremos infra revelador de um antagonismo do fandom ao próprio género) só muito raramente dá azo a que surjam eventos de uma magnitude capaz de sinalizar a vitalidade do género.»

    quando João Seixas, faz este tipo de análise que reflecte o que ele realmente pensa sobre o fandom. Na verdade o antagonismo não do fandom ao género, é daqueles que criam capelas e se assumen como fandom, isto numa primeira fase e depois como grandes educadores.

    Ao contrário do que aparece no artigo, a que ele chama ensaio, não se criou «pela primeira vez em Portugal, com quase 70 anos de atraso, uma Associação de Fans.», pelo simples facto que já tinha sido criada e só por isso a nova teve de levar o Simetria atrás. E já agora será que alguém me diz com quantas pessoas foi formada a Simetria? e quantos deles eram fans?

    Logo depois afirma:

    «Esses Encontros, que reuniram em massa o Fandom português, que trouxeram a Portugal pela primeira vez autores da craveira de Brian Aldiss, Joan D. Vinge, Joe Haldeman, Charles N. Brown ou David Pringle, e nos quais foi apresentada ao público a obra máxima da FC lusa – TERRARIUM, Um Romance em Mosaicos (7) – constituíram – e constituem até hoje – um marco irrepetível na evolução do género.»

    o que será verdade se mais ninguém fizer nada e não deixa de ser de referir que foi aí que se fez e lançaram as bases para um encontro ibérico de fc. Estranho é tal nunca aparecer em notícia ou texto algum. Porque será?

    Como se não fosse suficiente aparece depois no texto:

    «… … … a Simetria entrou numa dinâmica de desagregação patológica, provocando, um atrás do outro, os diversos incidentes que, no fandom ficaram conhecidos como Barreirosgate, Candeiasgate e Goblingate.»

    Depois de afirmações deste tipo com todos estes gates é bom de perceber o porquê de não existir fandom e a continuar assim nunca haverá.

    O que se continua a esquecer ou a ignorar propositadamente é que o fandom, é composto pelos que “adoram” a FC e F, e não pelos que tem como única preocupação tentar mostrar que são os melhores e assim apenas dele se aproximam para puderem cumprir as suas agendas pessoais.

  17. Álvaro Holstein diz:

    A vantagem do fórum do BBDe é que não tem censura prévia.

    • igdrasil diz:

      Caros, não consigo perceber o que se passa com os comentários. Vou duplicar os mesmos para que possam ficar no seu lugar.

      Caro Álvaro,

      Apenas usamos a moderação de comentários por uma simples razão: os comentários spam. Pelo que me é dado a perceber pela askimet, com a moderação já evitámos quase três centenas de comentários spam. Tudo o que os leitores postam em comentário é publicado, sem excepções. Portanto naõ existe “censura prévia” mas sim prévia moderação.

      Um fórum do correio do fantástico está a ser finalizado, para que se possa usar mais essa plataforma para discutir ideias.

      Tenham atenção ao que será postado hoje no correio. São desafios, não só aos membros do fandom, mas a todos os leitores para que se possa avançar com algo concreto.

      João Ventura,

      “Eu bem sei que as explosões das NOVAS (desculpas pelo aportuguesamento do plural) ocorrem no vácuo cósmico, mas há sempre uns astrónomos que costumam dar por elas. Aqui deviam ter os telescópios apontados para o outro lado da galáxia…”

      Encaixo a crítica, realmente foi uma falha da minha parte. Podem esperar os meus comentários sobre a Nova, assim que terminar a sua leitura, e também podem esperar todo o meu esforço para a sua divulgação.

  18. Olá, Álvaro Holstein.

    É bom ver que ainda está “no activo”.
    Toda esta confusão dos posts (que, se estão a ser moderados, tal se deverá ter devido sem dúvida a toda esta questão da “violação” do Correio. Dê o benefício da dúvida aos rapazes antes de os achar censores!), quase me fez perder a sua contribuição.
    Tenho de me curvar perante a sua presença histórica no fandom, infelizmente anterior à minha “entrada”, no entanto, há histórias pelas quais já passei, e devo-lhe dizer que se, pessoalmente, nunca refiro a Ibercon (e penso que seja esse o encontro ibérico de fc a que se refere) nos meus textos é porque só o poderia fazer de forma depreciativa.
    E para quem, por nunca ter visto referência a isso, não sabe do que estamos a falar, fica um relato de um assistente (com a devida vénia ao luis filipe silva):
    http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1131072473

    Um abraço,
    Rogério

    • Álvaro Holstein diz:

      Nunca deixei de estar no activo, apenas me retirei para evitar mais arrelias. Nunca fui de genuflexões e “as luzes da ribalta” não são claramente quer a minha opção e muito menos o meu objectivo e apesar do que já vi, continuo a acreditar que se pode vir a ter um fandom forte e operante.

      A I Ibercon aconteceu em Cascais aquando dos Iºs Encontros. Foi pequena, apenas meia dúzia de “gatos”, sobretudo porque os portugueses andavam a correr em volta dos anglo-saxónicos.

      A que fala o LFS é outra coisa e aí não fui pois soube antecipadamente que seria um flop.

      As minhas desculpas sobre a censura, mas continuo a acreditar e praticar que “a moderação” é algo a evitar.

      Sobre tudo o resto pelos próximos dias, virei por cá dar a minha opinião e refrescar “a memória dos dias”.

  19. Nope, isto continua marado. O meu comentário ao Álvaro foi parar lá acima!

  20. Roberto, estou contigo! Se é de nesta idade sermos sonhadores, não sei, mas estou contigo e com muita vontade de tentar fazer alguma coisa pelo género.

    Quanto às medidas no campo do Terror, não tenho nada a apontar. Dou apenas força e, se quiserem que eu aponte um texto ou outro para a tal antologia, terei todo o gosto, apesar de não ser grande conhecedor do terror.😉

    Quanto à Fantasia, também não tenho nenhum comentário a fazer, está tudo óptimo, na minha opinião.😀

    Quanto à Ficção Cientifica, eu poria de parte a criação de uma associação, pelo menos nos moldes oficiais. Acho que o que é preciso (e não só para a FC, para toda a literatura fantástica) são novas publicações, sérias e regulares, onde se possa criar um grupo de autores regulares. E, para complementar isso, como é óbvio, um forte número de eventos, sejam tertúlias, lançamentos, projecções de filmes, por TODO o país. No início, esses eventos podem estar condenados a terem sempre dois ou três gatos pingados mas, ao fim de cinco, dez, aparecerá uma cara nova. E depois outra, e depois outra. Até, daqui a dez, vinte, trinta anos, haver uma comunidade activa de fãs.
    Se quiseres começar um ciclo de eventos, teremos alguma facilidade na Fnac Coimbra (conheço o rapaz que organiza a agenda cultural).

    E não sei se foi o que quiseste dizer com “Criar uma História da Literatura de FC Nacional” é o que eu estou a pensar, mas penso que seria interessante fazer uma antologia gigantesca (em edição especial e limitada, com 300 ou 400 exemplares) da literatura fantástica nacional, com contos, novela e romances curtos. Seria, se bem feita, um marco para o género.

    Eu estou contigo, Roberto. Posso não ter experiência profissional em nada, mas estou contigo!

  21. E o meu comentário também foi parar lá acima :O

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