Entrevista

Fui entrevistado pelo grande autor Brasileiro, Fábio Fernandes para os seus blogues. Podem também ler aqui a entrevista, ou então no seu sítio original: eternoprovisorio.squarespace.com!

Entrevista – Roberto Mendes

DateFriday, January 22, 2010 at 09:38AM

Os meus leitores brasileiros talvez ainda não o conheçam, mas nossos irmãos lusos certamente já o conhecem, e a partir de amanhã, 23 de janeiro, ele se tornará sem dúvida ainda mais conhecido: o criador do blog Correio do Fantástico lançará oficialmente, em grande estilo, na cidade do Porto, a revista DAGON, que tem tudo para ser a melhor publicação de literatura fantástica dos últimos tempos em língua portuguesa. Roberto já está reunindo um time de primeira, que inclui, entre outros, o premiado escritor português João Barreiros, o autor e editor israelense Nir Yaniv, o blogueiro e resenhista americano Larry Nolen e outras surpresas para o futuro próximo. O Eterno Provisório tem o prazer de entrevistar Robert Mendes.

1. Fale um pouco sobre você para os leitores deste blog. Quem é Roberto Mendes?

Sou um jovem com vinte e dois anos, licenciado em Direito e com uma enorme paixão pela ficção especulativa, em especial o género de ficção científica. Iniciei à dois anos o correiodofantastico.wordpress.com em conjunto com outros autores, sou editor de uma antologia de contos de literatura fantástica, a Vollüspa (lançamento em Março) e o criador da revista Dagon, cujo número zero (experimental) está disponível gratuitamente no blogue correio do fantástico. Tenho também colaborado com um site de literatura fantástica Galega, o NovaFantasia.com.
2. Como você vê o estado da ficção científica e fantasia produzida em língua portuguesa neste momento?

Não sou demasiado pessimista, mas também não tenho ilusões. Em Portugal, mercado com o qual estou mais familiarizado, temos excelentes escritores, quer de ficção científica, quer de fantasia. Destaco João Barreiros e Luís Filipe Silva no primeiro género e Pedro Ventura no segundo! Existem obras de referência como o “Terrarium” e o “Caçador de Brinquedos” mas parece falhar a conexão entre escritor e leitor. O mercado de leitores de literatura fantástica em Portugal tem sofrido sobretudo pela desunião que existe no seio do género, e pela falta de compreensão do género por parte dos leitores. Tradicionalmente, sendo estes géneros literários considerados marginais, existe a tendência de utilizar a união como forma de subsistência entre editores, autores e leitores. Mas em Portugal não me parece que isso aconteça. Neste momento o estado da literatura fantástica portuguesa não atravessa os melhores tempos. Não acompanhei os anos dourados da ficção científica em Portugal, mas parece-me que eram melhores tempos. Fazem falta bases de trabalho para os escritores, e material escrito para os leitores, faz falta educar os leitores sobre a verdadeira essência do género e afastar o estigma de que a literatura fantástica é para crianças. Faz falta a reunião entre leitores, autores e editores… enfim, será necessário mudar o paradigma, aumentar a produção e tentar chegar cada vez mais longe! Com esse objectivo surge a Dagon, para ajudar nesta longa caminhada!

Deixando os problemas e focando-nos nas virtudes do género na língua portuguesa: penso que temos visto nos últimos tempos um enorme fulgor na ficção especulativa Brasileira e que Portugal pode também agora começar a despertar algum interesse, até internacional!

Num tempo em que sinais de mudança nos chegam de fora, com Lavie Tidhar à frente de uma ideia de Ficção Especulativa Internacional, com cada vez maior produção não Anglo-Saxónica, é necessário agarrar oportunidades e tentar descobrir novos mundos, novos contos, novos artigos…

3. O que se escreve em português acrescenta algo à FC&F internacional?

Sou partidário da teoria de que para atingir realmente o mercado internacional, é necessário fazer o esforço de traduzir os nossos contos para Inglês e depois apostar na divulgação internacional. Tal como recentemente respondi ao Charles Tan, numa entrevista para o WorldSF, Portugal tem uma história única, um passado de glória assombrosa. Talvez a chave para que nos tornemos únicos seja reclamar esta história nos nossos textos: uma ideia seria um autor escrever um romance steampunk, sobre a época dos Descobrimentos! Quem melhor para escrever sobre essa época senão os descendentes desses míticos heróis que conquistaram os mares? Outra conversa será o escrever sem originalidade e não dar importância à herança que nos foi deixada, escrever sobre vampiros românticos à moda “twilight” ou histórias que tomam lugar em Nova Iorque, por exemplo, nunca fará com que a literatura fantástica portuguesa adquira um cunho único, que nos dissocie de tudo e todos e que marque uma verdadeira revolução no género! Teremos de ser exóticos o suficiente para ousar escrever histórias que apenas nós possamos fazer, ser originais e tomar atenção ao nosso passado: pode ser lá que reside a chave para o futuro!

4. Qual o papel de Brasil e Portugal no crescente movimento que vem sendo iniciado há algum tempo por vários autores, editores e entusiastas do gênero, como Lavie Tidhar e Cheryl Morgan. Fazemos diferença? Se não fazemos, podemos vir a fazer? De que modo?

Penso que neste momento o Brasil tem já algum peso neste movimento, especialmente por mérito seu, Fábio. Em Portugal também têm chegado ecos internacionais: o Nuno Fonseca foi convidado a escrever para o WorldSF, por exemplo!

Penso que os responsáveis por este movimento crescente têm tomado interesse pela literatura fantástica de língua portuguesa, e, desde que a Dagon passou a revista em formato papel, logo se associou a este movimento, colaborando com Lavie Tidhar para que alguns contos do Apex Book Of World SF possam ser publicados em português. No Correio do Fantástico e na Dagon temos apostado também em presenças internacionais como a do crítico Larry Nolen.

Em pouco tempo no WorldSF, lugar de excelência do Israelita Lavie Tidhar, saiu um artigo sobre a literatura fantástica em Portugal, já datado e desactualizado, mas que tinha estado votado ao esquecimento. Convidaram o Nuno e agora publicam uma entrevista sobre a Dagon! Penso que poderemos estar perante um novo começo para Portugal e Brasil!


5. Como a Dagon pretende se inserir nesse contexto? O que essa revista trará de novo e/ou diferente para a FC&F, tanto em forma quanto em conteúdo?

Bem, não direi diferente pois já foi aposta de outros editores como Rogério Ribeiro na Bang, mas apostaremos forte na divulgação da ficção especulativa, tanto de autores de língua portuguesa como de internacionais! Publicaremos, como já referi, em colaboração com o Lavie, alguns contos verdadeiramente internacionais, começando com o “Cinderers” de Nir Yaniv. No número dois será a vez do Chinês Han Song, entre outros! Não é uma revista exclusivamente literária: temos cinema e arte gráfica e teremos também música! Pretende ser um espaço de reflexão sobre o universo da arte fantástica, tentando chegar a leitores que ainda desconhecem o género e até criar novos fãs.

E depois, se tudo correr como esperado, apostaremos em reunir os melhores contos de autores portugueses na Dagon, traduzi-los para língua Inglesa, e publicar em antologias como a da Apex, entre outras. Queremos também um maior contacto com o Brasil, sendo o seu conto o primeiro de muitos contos brasileiros a marcar presença na Dagon!

A Dagon é, sobretudo, um espaço de união, por isso mesmo a festa de apresentação deste sábado vai muito além de uma simples apresentação. Num enorme esforço por parte da editora “edita-me” temos a possibilidade de anunciar uma verdadeira reunião dos entusiastas do género com os melhores escritores portugueses, que contará com diversas manifestações de arte fantástica com uma exposição de ilustrações e ainda com mesas redondas sobre a ficção científica internacional e o futuro da literatura fantástica em Portugal, acompanhados sempre pela música de um pianista, com vista sobre as margens do rio Douro no Clube Literário do Porto!

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